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ALGUNS PENSAMENTOS E ALGUMAS CONTRADIÇÕES DOS CORAÇÕES E DAS VIDAS DOS HOMENS

OS PENSAMENTOS NESTA PÁGINA SÃO, NA TOTALIDADE, DE MINHA AUTORIA. NO ENTANTO, ACHAM-SE AQUI ALGUNS (MUITO POUCOS) QUE SE ASSEMELHAM A PENSAMENTOS DE OUTROS AUTORES PORQUE OS MODIFIQUEI UM POUCO PARA PODEREM EXPRESSAR MELHOR O QUE ME VAI NA ALMA. O QUE CONTARÁ, NO FINAL, É O CONTEÚDO E A VERDADE DO PENSAMENTO E NÃO O SEU AUTOR. OS AUTORES "TERMINARÃO", MAS, AS PALAVRAS DE DEUS PERMANECERÃO. ATÉ LÁ, "...ENTRE OS PERFEITOS FALAMOS SABEDORIA, NÃO PORÉM A SABEDORIA DESTE MUNDO...", 1Cor.2:6.

São pequenas reflexões e resumos fruto da minha relação com Deus e com a Sua palavra. Inicialmente eu queria anotar tudo o que aprendia nos meus momentos de comunhão com Deus, mas, isso tornou-se impossível a menos que escrevesse longos textos. Então, decidi resumir e guardar como pensamentos curtos para voltar mais tarde e preencher com mais detalhes. Chegaram a 100, depois a 200, a 1.000, a 2.000, a 3.000... sem nunca se repetirem. Assim, decidi mantê-los como breves reflexões e resumos. Nosso dia só tem 24 horas e não podemos trabalhar sequer em metade dele. Deixo estes pensamentos como os escrevi para mim. Meu pedido a Deus é que possam trazer alguma bênção para alguém, mesmo que pequena. Estas são minhas pérolas preciosas. Espero que você as trate bem.

  1. "Dois homens subiram ao templo, a orar; um, fariseue, o outro, publicano. O publicano (…) estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!" Luc.8:10,13. Fala-se muito do Fariseu que confiava muito em seus hábitos religiosos que o tornaram arrogante até mesmo diante de Deus. Mas, atualmente, existem muitos arrogantes que dão uma de publicano, os quais criaram hábitos de bater no peito por via do ensino para ter como desculpar seus pecados e a razão de seu viver cambaleante. Se os Fariseus de então viviam das aparências, hoje não é menos verdade que muitos congregam com aparência de publicanos. Afirmam que devem estar sempre a bater no peito, que não param de pecar como se deixar de matar, roubar ou fumar fosse algo impossível de ser conseguido. Oram, congregam, leem a Bíblia, pregam a Bíblia, tomam a Santa Ceia, batizam-se e fazem tudo a preceito mantendo a aparência de publicanos tendo ainda neles um coração de pedra e uma consciência cada dia mais empedernida. Congratulam-se porque não faltam a um culto, porque passam horas lendo a Bíblia ou orando, suas vidas rodam à volta da igreja ou não, trabalham arduamente no templo ou não, fazendo tudo aquilo que aparenta ser evangélico ou Cristão. "Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade", Mat.7:23. Existem certos sinais e características que devemos ter em conta naquilo que fazemos e cremos. Por exemplo, a santidade não pode ser aparente e confundida com simpatia e bom comportamento. A verdadeira santidade só pode ser ajuizada pelo fruto que produz e não pela aparência. É pelo fruto que seremos conhecidos diante de Deus e não pela azafama à volta da igreja; a oração não pode ser ajuizada pelo palavreado bonito ou feio, pelo tempo que se despende em oração, ou lugar onde se ora e pelo jejum, mas, pelas respostas que obtém; a comunhão com Deus deve ser medida pela intervenção que Deus consegue obter em nós e em nossos afazeres diários fora e dentro da Igreja e não por aquilo que fazemos, cremos ou damos; todos os tipos de dízimos e ofertas não têm qualquer valor se não forem avalizados pela e para a glória de Deus; a leitura da Bíblia não pode ser medida pela quantidade de leitura e de conhecimentos, mas, pela transformação e confiança no coração que é capaz de produzir em nós. Poderia mencionar muitos mais exemplos, mas, fica aqui a ideia como pedra de esquina para que nossas mentes e corações se possam abrir para certas verdades e contra certas mentiras que transformaram a verdade de Deus em mentiras. Espero que ainda vá a tempo de abrir a nossa inteligência para a realidade de que todos ainda seremos julgados e que o Juízo começará sempre pela casa de Deus, pelo próprio e não pelos de fora (1Ped.4:17). O juízo de Deus começa pelos líderes da igreja e não pelo ladrão que assaltou a igreja; começa por quem ora e não por quem se ora; começa por aquele que prega a Palavra e termina naquele que ouve. É hora de acordarmos do sono e perguntar por que razões as coisas já não são como eram no tempo dos apóstolos.

  2. A igreja deveria ser um ponto de encontro com a verdade e com a realidade de Cristo. Ninguém pode separar verdade de realidade espiritual. Se não for real, a verdade perde e deixa de ser verdade ainda que seja a verdade escrita e ainda que seja a doutrina mais pura. Conhecemos e reconhecemos a verdade pelo fruto que produz e reproduz em forma de realidade e não tanto por aquilo que está escrito. Mas, todos devemos saber que aquela verdade de Deus só produz efeito bom encontrando um verdadeiro ou alguém que deseja ser verdadeiro de coração em toda a transparência sob luz intensa. Isso é o que significa andar na luz. Se a verdade não encontrar tal coração, produzirá um inimigo do verdadeiro Evangelho, o qual será amigo dum qualquer evangelho falso mais "conveniente". Esse é o anticristo. O problema, no entanto, é outro: produz-se um certo tipo de ambiente propício para a sobrevivência da carne dentro do Templo de Deus, uma certa maneira de falar apropriada para pessoas que desejam congregar e crer sem serem transformados e desejam ser crentes sem nunca terem corações verdadeiramente novos. E é assim que se criam e recriam atores para papeis eclesiásticos ou evangélicos, os quais nunca produzem fruto eterno porque tentam produzir fruto para eles próprios desejando que Deus compactue com eles nesse sentido. Quem não desejaria ter um Deus Todo-Poderoso ao serviço do seu querer carnal? Infelizmente, esse tipo de Evangelho é distribuído, também, para os de verdadeiro coração que buscam abrigo e verdade nesses templos de mentira, deixando-os nas trevas por falta de realidade naquilo que ouvem e tentam digerir forçadamente. A verdade nunca poderá ganhar raízes profundas num coração que não foi verdadeiramente transformado, tal como a mentira e irrealidade nunca ganharão raízes profundas num coração que busca a verdade ou que busca ser verdadeiro. Infelizmente, tanto num caso como no outro, têm a capacidade de produzir a aparência; e a aparência não salva do próprio, mas, tenta salvar o próprio. Se o alvo da pregação não for a conquista ou reconquista do ser mais profundo do homem para Deus, se não a transformação da sua verdadeira essência para a verdade plena de realidade espiritual para salvá-lo dele próprio e de seus pecados, sejam eles muitos ou poucos, a verdade cria e recria a aparência e não é capaz de ser produzida como realidade pela verdadeira vida abundante. É muito importante endereçar e apontar todas as setas da verdadeira pregação ao coração e à essência de cada homem e não à sua aparência. A aparência não muda pessoas, mas, a transformação da verdadeira essência da pessoa muda até mesmo a sua aparência. Temos de ter noção de que, abraçar o verdadeiro Evangelho, é abraçar a própria morte. Precisamos morrer com Cristo a ponto de conseguir afirmar, como Paulo, que "eu não vivo mais" e que isso seja verdade e deixe de ser mera retórica. Que haja igrejas e pregações onde todos aqueles que entram saibam que ali acharão a própria morte e não a sobrevivência da sua própria espécie pecadora.

  3. "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus", Mat.7:21. Existe, neste versículo, muita sabedoria escondida na qual se pode tropeçar. Existe mais e maior conteúdo nele do que, à primeira vista, parece. Não podemos assumir que qualquer um pode fazer a vontade de Deus, pois, não estaríamos do lado da verdade pensando assim. Somente aqueles que são capacitados conseguem executar a vontade de Deus e somente por esses ela frutifica "porque Deus é quem opera tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade", Fil.2:13. Na oração do Pai Nosso lemos algo que precisa ser bem entendido. "Faça-se a Tua vontade, assim na terra como no céu", Mat.6:10. Este é um daqueles versículos que pode não ter tradução direta em nosso idioma. Na verdade, significa algo assim: "A Tua vontade seja feita aqui na terra da forma – da mesma maneira - que ela é feita no céu". A questão aqui não é que seja feita, mas, a maneira como é feita. Isto é, pelos mesmos meios, pelos mesmos motivos e fazendo pleno uso do mesmo poder, o qual ainda precisa ser alcançado. E esse poder só pode ser alcançado cumprindo certas condições e, após isso, buscando-o de todo coração. Mas, deve começar pelo extermínio de qualquer meio carnal no qual ainda se deposita qualquer tipo de esperança. Ainda que alguém tente executar a vontade de Deus por meios ou forças carnais, nunca frutificará. É por essa razão que seremos conhecidos pelo fruto e não pela execução. Não podemos acreditar que a carne pode/deve sobreviver, executar e frutificar dentro do Templo de Deus. Somente alguém muito iludido pode acreditar numa coisa dessas.

  4. "Não useis de vãs repetições, como os gentios que pensam que, por muito falarem, serão ouvidos", Mat.6:7. A questão aqui nem é sobre as muitas ou poucas palavras na oração, pois, existem pessoas que usam poucas palavras e também não são atendidas. O segredo da oração é sermos ouvidos e não é a forma ou formula de orar e nem o tempo despendido em oração. E, para sermos atendidos, existem certas condições que necessitam ser cumpridas. Contudo, não podemos afirmar com segurança que as condições para um recém-convertido ser ouvido sejam as mesmas que para um adulto em Cristo. Mas, existe algo comum em ambos os casos: ter todo o coração envolvido na busca de algo que glorifica Deus. John Bunyan disse o seguinte em seu leito de morte: "Quando orares, é preferível que teu coração deixe de ter palavras, do que tuas palavras deixem de ter coração". Qualquer oração que não é ouvida é uma oração vã e sabemos que as orações que não são ouvidas são a principal causa das repetições vãs. E, para sermos ouvidos, torna-se necessário cumprir certas condições que se vão alterando e aprofundando mediante a aproximação a Deus e o consequente crescimento espiritual quem vem com a prática que obtenha êxito (bênção), algo que acontece permanecendo em Sua presença de forma continuada. E todos aqueles que já se viram envolvidos em orações vãs e repetitivas precisam, necessariamente, de perder os hábitos que acumularam com esse envolvimento fútil e inútil, tais como continuarem a pedir quando Deus já atendeu; ou desistir, desleixar, desanimar ou estagnar a meio do caminho devido às experiências anteriores de falta de respostas. Tudo precisa tornar-se novo, incluindo a nossa mentalidade e a nossa maneira de agir com a aproximação real a Deus. Conseguimos achar estranho quando qualquer pessoa não reage quando nos dirigimos a ela, mas, muitos acham normal sempre que Deus não reage ou não age quando lhe falamos. Todos os nossos hábitos acumulados ao longo da vivência inútil sem Cristo aqui na terra precisam ser extintos. E é a respeito desse acumular de hábitos que Jesus está intervindo aqui ao falar para aqueles que se tornam ou que ainda se tornarão novas criaturas. Existem mais hábitos que são criados/acumulados nos tempos sem respostas concretas à oração. Todos esses hábitos precisam ser analisados depois de achados, desarraigados pela raiz e extintos. Tudo tem, necessariamente, de se tornar novo. "Transformai-vos pela renovação do vosso entendimento", Rom.12:2.

  5. "José, seu marido, como era justo e a não queria infamar..." Mat.1:19. Parecia que Maria havia cometido adultério. José não queria ser a pessoa a divulgar esse suposto adultério porque "era justo" e não a desejava infamar em publico. Pela lei de Moisés, ser justo poderia ser levar Maria para ser apedrejada. Parece que José já vivia o Novo Testamento. Mas, mesmo na era do Novo Testamento também se põem outros problemas. Imaginemos que um pregador justo tem uma esposa que não quer nada com Deus por haver tropeçado e, consequentemente, perdido sua própria comunhão com Deus algures em seu trajeto espiritual. Se o esposo a proteger escondendo os pecados dela, torna-se conivente e cúmplice desses pecados. Nunca passará incólume no Juízo de Deus. Além do mais, isso não é e nunca será um bom testemunho para os seus ouvintes e seguidores. Paulo recusou levar Marcos devido ao seu mau testemunho de cobardia e cansaço para com as igrejas. Para alguém ser pregador abençoado precisa de duas coisas entre muitas outras: precisa saber cuidar de seu próprio lar porque, segundo Paulo, "se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?" 1Tim.3:5. Esconder ou disfarçar os pecados do lar não é e nunca será andar na luz e muito menos governar bem seu lar porque o pecado é destrutivo estando disfarçado nas trevas. Contudo, não sendo culpado dos pecados ou desvios da própria esposa, ainda assim, a verdade deve imperar, ser clara e transparente por causa do testemunho. Existem homens de Deus que levam a própria esposa para diante do púlpito para explicar que não tem nada a ver com os pecados dela, na esperança de que ela se reconcilie com Deus impulsionada pela vergonha que passa. Mas, se isso levar a esposa a endurecer-se ainda mais sendo rebelde, o pregador em questão fica ilibado dos pecados dela para sempre. O bom testemunho dele prevalece e ficará intacto. Mas, será isso infamar? Se aquilo que motiva esse pregador é, em primeiro lugar, o testemunho da verdade e se seu motivo secundário é tentar salvar a esposa de seus pecados e de sua conduta (algo que acontece algumas vezes), se seu coração não estiver sendo inspirado por desejo de vingança, raiva ou ressentimentos de qualquer género, se aquilo que o motiva é uma real preocupação com o decorrer das coisas, se é movido a esse extremo por amor, creio que isso não é infamar. A verdade deve imperar em alguém de coração verdadeiro. Adão colocou-se ao lado da esposa e deu no que deu. Nunca saberemos o que teria acontecido caso Adão se tivesse colocado ao lado de Deus em vez de se ter tornado conivente com a esposa. Podemos especular sobre isso, mas, certamente que muitas coisas teriam sido bem diferentes. Ainda hoje seriam diferentes. No caso de Maria e de José, colocar-se ao lado de Deus era não infamar Maria porque Maria não havia pecado. Mesmo sem saber, ele fez o que é certo fazer - fez aquilo que Deus queria que fosse feito. Mas, tenhamos em conta que José não se tornou justo por não ter exposto Maria, mas, porque conseguia discernir entre a vontade de Deus e aquilo que era a lei ou legalismo. Fez aquilo que era certo mesmo sem saber por que razão o fazia. Isso acontece com seres justos. "…O meu parecer, (porque) eu cuido que tenho o Espírito de Deus", 1Cor.7:40. Ele não era justo por não ter exposto Maria e, antes, não expôs Maria porque era justo e conhecia Deus. Por ser justo foi induzido a fazer aquilo que Deus queria. Foi esse conhecer experimental de Deus que fez seu coração pender para fazer aquilo que Deus queria que fosse feito ou da forma que fosse feito. Não infamar Maria era a vontade de Deus, porém, deixá-la não era e foi nesse ponto que foi corrigido. É isso que acontece com todos aqueles que são justos quando pensam fazer as coisas pela metade: eles são corrigidos. Não erram.

  6. "Cristo em vós, esperança da glória", Col.1:27. Temos aqui duas questões problemáticas com as crenças e esperanças das pessoas. A primeira é alguém crer, afirmar ou mesmo assumir que tem Cristo dentro dele quando isso não é verdade. Cristo pode não estar na pessoa e, ainda assim, essa pessoa crer que está. Mas, também temos o outro lado da questão: Cristo encontra-se na pessoa e ela pensa que não está operante ou mesmo fluindo em seu interior.

  7. "Ele nos tirou da potestade das trevas...",Col.1:13. Devemos aprender a dar maior atenção às palavras na Bíblia, principalmente àquelas que não têm tradução direta no nosso idioma. No entanto, não precisamos aprender grego, aramaico ou hebraico para conseguir entender bem o que significam essas palavras ou verdades em sua vertente mais prática. Basta termos uma cumplicidade e uma comunhão real, verdadeira, não-forçada com Deus na plenitude prometida para obtermos a devida revelação acerca da verdade e crermos nela incondicionalmente, assumindo-a no nosso dia a dia para estar pronto para o passo do dia seguinte, tornando-a prática. É essa comunhão com Deus que nos impede de tropeçar na Palavra. Aqueles que não a têm certamente tropeçarão na Palavra que só fará sentido quando tornada pessoal por via duma manifestação da verdade por Deus ao próprio, seja num culto, num estudo bíblico ou no quarto da intimidade com Deus. Esta palavra "potestade" (das trevas) não tem tradução direta em nosso idioma, mas, tem um significado que nos pode surpreender. O poder que se pode exercer sobre alguém pode manifestar-se de muitas maneiras. Existem aquelas formas de poder que se exercita sobre escravos contrariados, os quais obedecem porque temem as consequências; mas, também existe aquela forma de poder que conquista a voluntariedade e o coração da pessoa a ponto de sentir-se realizada e feliz debaixo desse poder disfarçado de prazer e de realização. E é assim que o poder se torna uma potestade. Esta ultima forma de poder faz com que se torne impossível alguém sentir-se escravizado fazendo, sentindo, realizando e vivendo os enganos que mais deseja. Tais pessoas sentem-se donas de seu destino sem se aperceberem que, na realidade, andam à deriva sendo, também, escravas delas próprias pela subtileza que faz parte da vontade do diabo, a qual faz crer na mentira tal como aconteceu com Eva. Esse é o pior tipo de potestade que existe, onde a própria pessoa deseja aquilo que a domina e escraviza. É precisamente isto que significa a palavra "potestade" no original. Este poder ou potestade só se mantém estando escondida e disfarçada nas trevas, porque, havendo luz (quando e se é desejada), todo o tipo de engano ficará exposto e visível de forma clara e, também, seus motivos são expostos. É necessário que o engano esteja sempre nas trevas para poder enganar, isto é, para continuar a ser engano. É por essa razão que devemos andar na luz esforçando-nos para sermos transparentes e visíveis nela. Ao ser convicto, sendo-lhe revelado, cabe a cada um decidir se segue praticando aquilo a carne mais deseja ou se vai aprender a preferir a beleza da verdadeira liberdade (sendo libertos de nós próprios) que existe somente dentro da vontade de Deus, exterminando a carne crucificando-a com Cristo eternamente. O pecado só tem força mantendo-se como engano que domina e convence. Na verdade, até engana afirmando e convencendo que é um poder indestrutível. Isso é seu o último recurso. E é isso que muitos pregadores propagam nos púlpitos de hoje quando falam da velha natureza, da carne e do pecado. Formam uma parceria com o mal sem se darem conta disso anunciando que teremos de conviver com a "realidade" do poder da carne até à morte. Não existe poder fora de Deus. É por Ele que seremos libertos desta potestade das forças do mal levando-nos pela verdade de forma prática e sob Sua companhia (Vida, presença), sendo que grande parte desse mal é o nosso próprio - é aquilo que somos e desejamos ou, melhor dizendo, aquilo que aprendemos a ser, desejar, desculpar e justificar sendo enganados e enganando-nos a nós mesmos. Essa potestade da qual Jesus nos liberta tem a capacidade de fazer com que nos enganemos a nós mesmos. No entanto, só tem a força que lhe damos. O poder do diabo e da carne são perecíveis na luz e é por essa razão que é pela verdade que somos libertos. Isso significa que seu poder é uma mentira - é uma ilusão. O pecado é uma mentira. Tornam-se poderes insignificantes e enfraquecidos sob a luz da verdade, sendo que se podem tornar completamente mortos se a pessoa conseguir permanecer ou estar em Cristo, em plena luz, crer nessa luz solenemente, assumindo-a em seu dia a dia e, também, se puder considerar-se verdadeiramente morta quando ou se estiver mesmo morta, isto é, estando cheia do Espírito. "Assim, vós considerai-vos mortos para o pecado, mas, vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor", Rom.6:11. Basta assumir uma verdade que se tornou realidade - caso se tenha tornado realidade por via duma vida de plenitude, desde que seja alcançada na proporção/abundância prometida. "Estai em Mim e Eu em vós", João 15:4. Sendo que Cristo está morto para o pecado (Rom.6:10) e se Ele vive mesmo em nós tendo essa morte, se isso é uma realidade inquestionável; e se nós não vivemos mais, também estaremos mortos para o pecado tanto quanto Ele que vive em nós. Estaremos tão mortos para tudo que possa ser enganosamente gozado neste mundo quanto está um corpo em decomposição. Essa é a verdade que podemos assumir. Essa é a principal mensagem do verdadeiro Evangelho. Isso são as boas novas.

  8. "Esforça-te e tem muito bom ânimo para teres o cuidado de fazer...", Jos.1:7. Há quem se esforce sem obter resultados compatíveis com o esforço despendido. Isso acontece porque existe um segredo que devemos ter em conta para evitarmos tropeçar na palavra. Qualquer esforço para cumprir que não obtém o respetivo fruto é sinónimo de tropeçar na Palavra. A promessa é um tropeço porque não se cumpre. E é pelo fruto da palavra que conhecemos a árvore e não pelo quanto alguém se esforça para cumprir. E qual a razão principal para alguém tropeçar na Palavra? A razão é tentar cumprir sem ter uma comunhão real, verdadeira, simples, dedicada, exclusiva, permanente e constante com Jesus no Espírito Santo apoderando-se, assim, da graça que é necessária para executar da maneira que se executa no céu, isto é, aqui na terra como no céu. Deus nega o esforço de quem não O conhece experimentalmente. "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que edificam", Sal.127:1. Tentar cumprir sem ter esta comunhão não fingida e muito real é como querer movimentar um carro sem combustível. O carro pesado só se movimentará sendo empurrado, o que fará com que o carro não cumpra a missão para a qual foi concebido. E existem crentes que, ao invés de serem transportados, tentam transportar aquilo que os devia levar pela porta estreita e pelo caminho apertado. "Se me amardes, guardareis os meus mandamentos", João 14:15. Isto é, se o amor a Deus não conseguir ser derramado em nossos corações por alguma razão, se existe algo que impede esse tipo de comunhão com Deus, isto é, que impede a vida abundante e eterna de fluir por todo o nosso ser, nunca será possível guardar os mandamentos que nos são dados por Jesus como dever hereditário. Mas, tendo (obtendo) esse poder da graça, tomando posse dessa vida eterna e abundante (1Tim.6:12), a qual nos capacita para todas as coisas, qualquer esforço no sentido de cumprir obterá seus respetivos frutos. Só então faz sentido este mandamento: "Esforça-te e tem muito bom ânimo para teres o cuidado de fazer". É por essa razão que Paulo, falando de sua experiência pessoal, afirmava que podia todas as coisas estando incondicionalmente n'Ele. Havendo obtido essa comunhão com a Vida, podemos e devemos esforçar-nos com a certeza que não sairemos frustrados ou defraudados e muito menos desapontados. Isto é, tendo essa vida na abundância prometida cabe-nos a nós o dever de nos esforçarmos de todo coração com total confiança num bom resultado. O esforço obterá, então, seus respetivos frutos mais tarde ou mais cedo. Raramente tardam a chegar esses frutos. Mas, ainda que tardem, certamente chegarão. Isso acontece apenas estando em plena comunhão com Deus, andando em Sua presença real - verdadeiramente real - para que Ele não nos negue. Mas, se nos esforçarmos sem ter verdadeira, real e manifesta Vida por via duma comunhão continuada com Deus, isto é, caso essa "comunhão" seja unilateral de nossa parte por via dum esforço fora do contexto duma experiência real com a vida eterna, se for fingida ou forçada, faremos de nós mesmos aquilo que a Bíblia diz ser o anticristo. Ser o anticristo é ser cristão na aparência - é ser cristão sem ter Cristo. O Evangelho e a doutrina sem Cristo são os piores inimigos da verdade que se quer real. Esforço sem vida abundante e real fará de qualquer um de nós os hipócritas da boda, os quais pulam o muro para entrar sem roupa nupcial. Seguramente, seremos lançados fora juntamente com os hipócritas. É importante lembrar que é a própria pessoa que se faz anticristo. "Também, agora muitos se têm feito anticristos", 1João 2:18. Esforçam-se para cumprir evitando as condições humilhantes para a carne que abrem o caminho para que a Vida real possa ser achada ou alcançada. Os anticristos encontram-se dentro da igreja. "Saíram de nós, mas, não eram de nós", 1João 2:19. Ser parecido com Cristo, ter a aparência de cristianismo é o que significa ser anticristo, professando que o conhecemos, mas, negando-o com as obras do dia a dia. Esse tipo de vida dos que se dizem crentes é o maior impedimento para o verdadeiro Evangelho que se quer real e operante. Ser anticristo é tornar-se uma semelhança de santidade que existe na terra.

  9. "Amados, procurando eu escrever-vos (...) acerca da comum salvação, tive por necessidade (...) exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos. Porque se introduziram alguns (...) homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus e negam a Deus", Jud.1:1,2. Judas, ao falar aqui sobre "batalhar pela fé", não se está referindo às perseguições dos maus, das prisões e das resistências dos ímpios do lado de fora. Ele está falando dos crentes, daqueles que se introduzem e transformam a vida prática da igreja em dissolução. Ele está falando dos que se encontram do lado de dentro e não dos de fora. O mal está dentro da igreja. O mal do lado de fora não afeta a comunhão dos crentes com o Espírito Santo e Seu poder. A água fora do barco ou do navio ajuda-o a navegar, mas, estando essa água do lado de dentro leva-o a afundar-se. E quando Judas fala em negar Deus, não está falando das profissões de fé, mas, da vida prática. Os ímpios do lado de dentro raramente negam Deus verbalmente, a menos que sejam ateus. Negam Deus com suas vidas práticas fora e dentro da igreja. É pelo tipo de vida que negamos ou glorificamos Deus e não pelas palavras. "Confessam que conhecem a Deus, mas, negam-no com as obras", Tit.1:16.

  10. "O suborno cega os olhos dos sábios e perverte as palavras dos justos", Dt.16:19. Existem muitas formas de suborno. Podemos afirmar, também, que existem aqueles que buscam o suborno. E, entre estes, existem aqueles que se deixam enganar (subornar) com muitas outras coisas além do dinheiro. Deixam-se subornar até como palavras e elogios. Quando um pastor ou líder duma igreja considera os membros de sua igreja como sua possessão ou domínio, certamente que também se deixará perverter e enganar pela quantidade de pessoas que são capazes de se agregar ao seu domínio e não levará em conta a santidade dos mesmos e a dedicação exclusiva a Deus. Esta forma subtil de suborno leva tais líderes a aceitar como parte integrante daquilo que crêem ser o Reino de Deus até aqueles que nunca se converteram. Já vi muito disso em minha curta vida de vivência com o Evangelho. Contam-se os números e a assiduidade nos bancos das igrejas e, além de se enganarem a eles mesmos, estes ditos pastores (ou mercenários) enganam mesmo aqueles que se agregam às igrejas convencendo-os com ilusões e mentiras de irmão para aqui e irmã para ali. "Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras", Tit.1:16. Quem pensará em converter-se ou que creia estar do lado de fora do Reino acreditando estar salvo ou ser crente? Estes pastores não somente se congratulam com a quantidade de membros na igreja, mas, enganam quem ainda se poderia converter fazendo-os crer que já estão salvos quando, na verdade, se tornaram ainda mais filhos do inferno. "Ai de vós, hipócritas! Pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós", Mat.23:15. Tudo isso ocorre por causa duma forma de suborno subtil, fingindo amor e sendo hipócritas para continuarem a segurar membros que nunca provaram a vida abundante (isto é a vida eterna) por via duma verdadeira e real conversão.

  11. "Não duvidou (...) por incredulidade", Rom.4:20. Desejo tirar um certo fardo dos ombros de algumas pessoas que são levadas a duvidar de certas coisas, pessoas essas que também são levadas a sentirem-se culpadas por pensarem que estão a duvidar de Deus. É bom prestarmos muita atenção a estas palavras de Paulo: "Duvidar por incredulidade". Eu creio que é possível duvidar por fé. O pecado não reside na dúvida em si, mas, no duvidar de Deus e, principalmente, quando Ele fala - se falar. É verdade que a duvida é não ter a certeza, mas, pode levar à certeza. Vou tentar explicar. Existem muitos erros doutrinários, muitos pregadores falsos e aproveitadores, muitas igrejas que são a porta do inferno e não do céu. Muitos dos que convivem com essas práticas erradas chegam mesmo a duvidar de muitas das coisas que ouvem e enxergam nesses círculos. Mas, com medo de saírem a perder por "falta de fé" acabam por aceitar as circunstâncias ao invés de "examinar todas as coisas e reter o bem" (1Tes.5:21). Também existem pessoas que aceitam o erro por afinidades sentimentais, por interesses pessoais, por afinidades familiares e por sentimentos de culpa. Disso não duvido. Mas, uma coisa é duvidar por incredulidade e outra é duvidar por fé. Sei que duvidar do erro ainda não é fé, pois, ainda não é a certeza das coisas. Mas, não podemos deixar de afirmar que duvidar de qualquer erro é obra da fé.

  12. Se existe, de fato, uma fé falsa, fingida ou forçada certamente que existe uma forma carnal de agir e própria associada à exercitação desse tipo de fé que extermina verdadeira fé existente no coração. "Não fareis conforme tudo o que hoje fazemos aqui, cada qual tudo o que bem parece aos seus olhos, porque, até agora, não entrastes no descanso e na herança que vos dá o Senhor", Dt.12:8,9. A vida prática, a forma de experimentar e exercitar a fé verdadeira é oposta à forma como os crentes crêem que se deve exercitá-la. Logo, além de negar e exterminar a fé falsa, devemos, também exterminar a forma de exercitar a dita "fé" que herdamos duma vida carnal

  13. "Não fareis conforme tudo o que hoje fazemos aqui, cada qual tudo o que bem parece aos seus olhos, porque, até agora, não entrastes no descanso e na herança que vos dá o Senhor", Dt.12:8,9. Jesus falou do descanso que Ele dá e que seu jugo é leve após havermos entrado nesse descanso. Paulo também disse que "resta que alguns (crentes) entrem nesse descanso" (Heb:4). Isso significa que muitos se ficam pelo entusiasmam da porta estreita e acabam não entrando. Esse descanso achamos na plenitude de vida, isto é, apoderando-nos da vida eterna (vida abundante) que começa aqui e agora. Só entram nesse descanso aqueles que são limpos de coração, limpos de motivos e limpos no caminhar do dia-a-dia. Caso alguém consiga obter essa plenitude de vida constante e eterna aqui e agora sem se haverem limpado convenientemente no sangue do Cordeiro, entrará em conflito permanente com o Espírito Santo até se limpar convenientemente. "O Espírito é inimizade contra a carne e a carne contra o Espírito", Rom.8:7. Nessa inimizade não haverá descanso. Mas, precisamos acrescentar duas coisas aqui: "Não fareis conforme tudo o que hoje fazemos aqui, cada qual tudo o que bem parece aos seus olhos porque...". Não é possível ser-se guiado por Deus fora da vida abundante. Mas, isso somente os crentes mais honestos podem reconhecer, porque vejo muita gente falar em nome de Deus sem haverem sido mandatados ou enviados por Ele. Quando o próprio engana o próprio pode facilmente afirmar que foi Deus quem lhe falou. Também ocorre o engano sempre que se ouve uma voz estranha sugestiva. Tanto a sugestão quanto a auto-sugestão são enganos perniciosos. Mas, havendo entrado e sendo consolidado no descanso que a vida eterna e abundante dá, não podemos mais viver da maneira que se vivia fazendo aquilo que parecia bem ou melhor aos próprios olhos.

  14. Aquilo que é normal (ou deveria ser normal) no desenrolar da nossa vida cristã e seu crescimento, deveria ser uma adaptação natural a cada etapa ou fase de nossa vida na abundância prometida - se é que a temos mesmo nessa medida. Existe a fase da aprendizagem que deveria terminar em uma prática natural, espontânea e pessoal onde não mais podemos depender do aprender, mas, daquilo em que já nos tornamos. "Eu vos escrevi porque (...) a palavra de Deus está em vós e já vencestes", 1João 2:14. Nós não aprendemos - aprendemos a ser. O problema das igrejas de hoje é que incutem nas pessoas que devem permanecer sempre na fase de aprendizagem, evitando, assim, a parte prática do Evangelho a qual levará à experiência e, inquestionavelmente, para uma maturidade natural, espontânea e sem esforço na comunhão com Deus e no entendimento da verdade prática na maior humildade não fingida. Essa parte prática tornará possível que se progrida além do que já somos para nos tornarmos ainda mais e melhor. Temos muitos crentes que bloqueiam a porta estreita pelos conhecimentos que adquiriram para que não entrem aqueles que querem entrar por ela por via da realidade de Deus. Mas, também temos aqueles ditos professores e lideres que gostam de manter os que entram na fase da aprendizagem para que não progridam e se mantenham sob sua alçada. Se progredirem, saem do alcance de seu domínio. Os que não progridem ficam sempre sob a alçada e do poder de quem ensina. "Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós (...) espontaneamente, (...) mão como dominadores dos que vos foram confiados", 1Ped.5:2,3. Isso seria como algum professor de escola que deseja manter o seu domínio sobre seus alunos, evitando que progridam para ter como mantê-los sob sua alçada. Não os deixa seguir em frente para não perder seu domínio sobre eles. "Bem-aventurados vós, os que semeais junto a todas as águas e dais liberdade ao pé do boi e do jumento", Is.32:20.

  15. Existe uma enorme dificuldade em entender o coração do homem, pois, engana-se até a ele mesmo. "Enganoso é o coração acima de todas as coisas - quem o entenderá?", Jer.17:9. Contudo, sabemos que tudo começa no coração, tanto aquilo que é bom, quanto aquilo que é mau. Mas, é precisamente ali onde tudo começa a resplandecer e é ali onde "uma grande luz" começa a raiar a todos quantos se encontram na sombra da morte e do engano próprio. Logo, tudo começa no coração. Não podemos negar esse fato. Ali começa toda a boa obra. Sendo assim, devemos prestar maior atenção à responsabilidade de termos de transformar o nosso próprio coração através da sinceridade para que, havendo sido transformados, a parte prática possa corresponder aquilo que somos e não nos tornemos teatrais na parte prática do verdadeiro Evangelho. Há os que, sendo maus, se escondem atrás de boas práticas; e aqueles que já foram transformados se podem encontrar emaranhados em culpas e hábitos anteriores. Em ambos os casos, não são aquilo que praticam. A sinceridade, aliada à realidade dos fatos e à percepção correta da verdade já instalada no coração, é o maior trunfo na obtenção desse coração e da santificação. "Eis que amas a verdade no íntimo", Sal.51:6. Isso deve ser feito e alcançado pelo bom uso e usufruto da plenitude do poder ativo da graça aplicado num coração sincero, juntando com Deus para não sermos achados a espalhar. "Criai em vós um coração novo e um espírito novo", Ez.18:31. Dito isto, nunca devemos menosprezar o fato de já não sermos virgens no mal, havendo já assimilado, em tempos anteriores, muito da cultura do mal e de sua forma de pensar, principalmente acerca dos nossos próprios conceitos do mal e do bem. "Ai de mim! Sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios", Is.6:5. Podemos, ainda (e após já havermos obtido um coração transformado), catalogar o bem como mal e o mau como bom. Devemos ser renovados no exterior também. Não somente nos entregávamos de corpo e alma aos nossos conceitos, prazeres, culturas mundanas como criamos uma mentalidade capaz de raciocinar dentro dessa esfera usando a sua formula/forma de pensar encarando as coisas novas através duma mente ainda mundana e condicionada pelos antigamentes, a qual ainda compara aquilo que é do mundo com aquilo que do mundo é, crendo que está fazendo uma coisa boa, útil e correta quando, na verdade, ainda é o mal tentando gerir o bem. Parar de praticar o mal ou deixar de ser mau não significa que nossa mente ou mentalidade tenha sido transformada. Sendo assim, torna-se necessário começar a praticar, em seus detalhes, tudo aquilo que começa num coração verdadeiramente transformado, com toda a sinceridade numa nova realidade nunca antes vivida e nunca experimentada. Tudo é deveras novo. Começando a praticar, abre-se o caminho para o entendimento da verdade e até mesmo para o entendimento do próprio coração para que não se diga mais, "quem o entenderá?". É por essa razão que Jesus diz que "aquele que quiser fazer a vontade de Deus" começará a entender. Muitos bons pregadores tendem a inverter esta sequencia das coisas instruindo um coração que ainda não passou pela transformação ou que não se aplica na parte prática do Evangelho. Jesus não disse que é ensinando todas as coisas, mas, "ensinando-as a guardar todas as coisas", Mat.28:20. E é praticando que se inicia o processo para o verdadeiro entendimento. Sendo assim, a mente precisa começar a ser renovada numa nova forma de pensar, praticando e, paralelamente, obtendo uma nova cultura e perspectiva entusiasmante, vibrante, corajosa antes de se poder tornar imparável e simples. É isso que Deus diz ser "bom ânimo". "Esforça-te e tem bom ânimo", Jos.1:6. Quase se poderia dizer, "Esforça-te e obtém bom ânimo". O "esforçar" vem antes. É praticando e juntando com Deus que se renova a nossa mente entendendo bem o que fazemos e por que razões o fazemos. "Transformai-vos pela renovação do vosso entendimento", Rom.12:1,2.

  16. "Aos que estão de fora todas essas coisas se dizem por parábolas, para que, vendo, vejam e não percebam; e, ouvindo, ouçam e não entendam para que não se convertam e lhes sejam perdoados os pecados", Marc.4:12. Existem muitas doutrinas aproveitadoras que usam certas partes mal interpretadas das Escrituras para se substanciarem. Estas afirmações de Jesus é um desses casos. Ele diz: "...para que não se convertam e sejam perdoados seus pecados". À primeira vista parece algo estranho, mas, se vermos bem, enxergaremos aqui um certo jogo de palavras que não sei se é devido às traduções ou não. Se este versículo afirma que Deus não quer que certas pessoas se convertam, as Escrituras contradizem-se, pois, lemos claramente que é a vontade de Deus que todos se salvem. Mas, podemos crer que este trecho diz que Deus não quer que certas pessoas sejam perdoadas porque não se converteram ou porque não se querem converter. Creio ser essa a interpretação correta. Foi por essa mesma razão que Deus colocou "uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida (para que não vivessem para sempre, pecando)", Gen.3.24,22. É a conversão que leva ao perdão. Logo, crendo que Deus evita que alguns sejam salvos é claramente um erro de interpretação e não dá substância às doutrinas que afirmam isso, o que, também não tem nada a ver com a verdadeira doutrina da predestinação, mas, apenas da forma que muitos acreditam nela. Até mesmo a doutrina da predestinação contém nela a verdade intrínseca que Deus quer que todos se salvem e é com essa finalidade que Deus predestina. Quando a interpretação dessa doutrina deixa de fora a verdade de que tudo se resume a que todos possam ser salvos sem exceção, é uma má interpretação por pessoas que acham que sabem muito e não sabem nada. Tudo que vem escrito tem como alvo e objetivo único a salvação de todos. Mas, voltando ao versículo acima, creio que a interpretação correta é distinta daquela que, à primeira vista, podemos ser levados a crer. Se vermos aquilo que Paulo diz em 2Cor.3:16 podemos crer que o entendimento vem com a conversão genuína. Paulo diz: "quando se converterem ao Senhor, então, o véu se tirará". Também podemos afirmar, categoricamente, que o perdão de pecados é concedido pela conversão da pessoa e que a confissão minuciosa de cada pecado leva ou induz a essa conversão; e induz a que essa conversão se vá tornando genuína. Não somos perdoados porque confessamos, mas, porque nos convertemos; a confissão detalhada de cada pecado leva a essa conversão. Então, olhemos novamente para o versículo acima: "para que se não convertam e lhes sejam perdoados os pecados". Esta afirmação pode ser vista como o fato de que as pessoas não se quererem converter para que seus pecados possam ser perdoados. Caso houvesse perdão sem conversão, certamente desejariam ser perdoados. Só não desejam ser convertidos. Até o diabo quereria ser perdoado sem ser convertido. Imaginemos um assassino ser perdoado sem se haver transformado em distribuidor ou dador de vida (como aconteceu com Paulo)! Ou um ladrão ser perdoado sem começar a trabalhar para dar a quem precisa, fazendo o oposto daquilo que fazia! Ou um mentiroso que não falasse a verdade sendo verdadeiro e experimentando a verdade da qual fala! Muitos podem falar a verdade sem se haverem tornado verdadeiros. Caso essas pessoas começassem a entender a Palavra sem estar convertidas, teriam como criar uma aparência de Cristianismo, de santidade, de verdade e de pureza que não corresponderia àquilo que são em seus corações. Mas, daí a ser afirmado que é para que não se convertam é ir longe demais com alguma má interpretação. Na verdade, não se querem converter genuinamente para poderem ser verdadeiramente perdoados.

  17. "Não entristeçais (extingais) o Espírito Santo", 1Tes.5:19. Quando Deus se manifestou em nossas vidas, a forma como se manifestou - desde que essa revelação tenha sido real e não apenas crença assumida - é um ponto de partida para compararmos aquilo que Deus começou a fazer para compararmos com aquilo que faz atualmente. É uma boa maneira de sabermos se entristecemos o Espírito Santo ou não. É bom compararmos o estado das igrejas atuais com seu início no tempo dos apóstolos para obtermos uma ideia do quanto o Espírito de Deus se entristeceu. Também podemos verificar se, ao invés de se ter entristecido, o quanto se alegra. Para se alegrar é necessário que se possa ver um progresso claro na qualidade do fruto que Sua presença é capaz de produzir. "Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor", Os.6:3. Se conhecer o Senhor de maneira real é como o raiar do dia que vai aumentando de qualidade e luz, podemos assumir que, ao invés de estarmos a entristecer o Espírito de Deus, estaremos a alegrá-Lo.

  18. "Esforça-te e tem bom ânimo", Jos.1:6. Muitas vezes e durante provações prolongadas, a pessoa deixa de fazer as coisas normais dos seus deveres quotidianos perdendo seu ânimo a pouco e pouco e qualquer pessoa nota que seu ânimo já não é aquilo que era. Mesmo tendo a força da graça sempre à distancia duma oração sincera, já não consegue executar se depender do animo que começa a desvanecer com o prolongar do tempo. Vemos que Abraão e Isaque também ficaram "fartos de dias" embora tenha sido por outras razões (e não pelas razões que irei mencionar aqui), mas, devido à sua velhice (Gen.25:8; 35:29). O cansaço dum esperar prolongado, de ter de esperar espiritualmente pelos que se atrasam ou se desleixam, a promessa que tarda em cumprir-se e a labuta normal de cada dia ou a sua monotonia são capazes de fazer surgir certa maneira de pensar e de avaliar que leva a extinguir o "bom animo". Esse animo só é bom porque vem de Deus e é devido à Sua presença infalível. Só existe como fruto devido à comunhão da Sua presença. Por essa razão é que é "bom". Mas, precisamos enxergar outra verdade a esse respeito. A pessoa não deixa de executar pela falta de animo bom, mas, é precisamente o inverso: entristece o "bom animo" porque deixa de fazer. Por isso é que lemos "esforça-te e tem bom ânimo" - nessa ordem. Na ordem cronológica (que é a ordem espiritual) o esforçar-se vem antes do ânimo. Não podemos querer alterar essa ordem, pois, a ordem da carne é ter ânimo antes para se poder esforçar. A carne é sempre contrária e inversa ao Espírito. A carne busca ânimo para se esforçar e o espírito esforça-se e obtém ânimo bom como fruto do Espírito. Ao tornar-se negligente, a pessoa perde o animo que é bom porque se separa de Deus pelo pecado do desleixe, pois, entristece o Espírito que até é capaz de animar um morto ou de pegar numa pedra e fazer dela um filho de Abraão. O "bom ânimo" é fruto dum relacionamento real, sincero e verdadeiro com Deus. Mas, sendo negligente em qualquer dever espiritual, a pessoa perderá esse ânimo bom devido ao afastamento de Deus causado pelo pecado da negligencia. O fruto do "bom ânimo" deixará de existir pela quebra dessa comunhão real com Deus. Logo, não é o bom ânimo que fará com que nos esforcemos, mas, será esforçando-nos que obteremos esse "bom ânimo". "Desperta, desperta, veste-te da tua fortaleza", Is.52:1. Esse ânimo não é e nunca será um tipo de ânimo qualquer: é fruto alcançado por via dum relacionamento sincero, não fingido, não forçado e real com Deus. Isto só é possível de experimentar por aqueles que são verdadeira e inegavelmente cheios do Espírito Santo. Nenhum outro poderá comprovar isto que afirmo aqui. Não é um ânimo carnal, operado pelo homem no homem, seja esse homem o próprio ou algum outro que o tenta animar ao invés de incentivar a esforçar-se onde foi negligente. Quando Paulo afirmava que "estamos sempre de bom ânimo" era porque não deixava de ser fiel na execução de cada detalhe da vontade de Deus. É por essa razão que estava sempre de "bom ânimo". Para que isso se tornasse possível, teria de buscar o poder da graça minuciosa e fielmente para cada tarefa de cada momento de cada dia. "Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia". Qualquer pessoa negligente irá de mal a pior e até mesmo aquilo que o rodeia piorará a olhos vistos dia após dia. E o perigo de não se esforçar enquanto pode - enquanto é dia - é o de chegar ao ponto onde não mais se consegue esforçar. "Andai enquanto tendes luz para que as trevas não vos apanhem", João 12:35.

  19. "...O Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem", At.5:32. Pouco se fala na obediência e da sua importância como condição prévia para a experiência da Vida Eterna, isto é, da vida abundante a qual Deus dá àqueles que lhe obedecem; e o pouco daquilo que se fala não explica quase nada a respeito do que é a verdadeira obediência e em que consiste. Se tivermos em conta que Deus prima por um coração ativamente voluntário, não podemos sequer olhar para a obediência como os humanos a enxergam, isto é, como se a obediência da qual Deus fala fosse uma subjugação de alguém que é obrigado a obedecer sob pena de perda ou punição. O desobediente está fora do Reino de Deus, mas, não apenas por desobedecer e antes por ter uma natureza contrária à do Reino. Se a pessoa "obedecer" de forma forçada não significa que a sua natureza haja sido transformada, mas, que foi subjugado por falta de opções. Sua natureza continua sendo a mesma de sempre sendo subjugado ou obrigado. Logo, também está fora do Reino ainda que obedeça, pois, não é possível reiná-lo tendo uma natureza contrária. Quando obedeço contrariado, desapontado ou de forma custosa não me posso considerar como pessoa de natureza obediente tal como a jumenta de Balaão não se podia considerar gente por ter falado uma vez. E é esse tipo de "obediência" que é considerada como normal entre a grande maioria dos crentes e com a qual os humanos se contentam. Isso significa que vivem um engano que consideram ser uma virtude em vez de verem isso como uma falsificação da obediência. "O engano deles é falsidade", Sal.119:118. "Mas, para (o Seu povo) diz: Todo o dia estendi as minhas mãos a um povo rebelde e contradizente", Rom.10:21. Toda a obediência a Deus tem de ser uma de natureza, de conivência dum coração que se revê no mandamento. Na nova criatura, a obediência não é e nunca será uma contrariedade, mas, é a luz que busca ansiosamente, é o mais puro e mais sincero anseio e deleite de todo um ser a ponto de estar integralmente envolvido no executar da vontade de Deus com toda a inteligência e com toda a diligencia assim que acha os meios para tal. (Ninguém consegue executar a vontade de Deus sem achar esses meios da graça para que consiga fazer aqui na terra da mesma maneira que se executa no céu). "Levantarei as minhas mãos para os Teus mandamentos, os quais amo"; "Os teus estatutos têm sido os meus cânticos"; "Inclinei o meu coração a guardar os teus estatutos", Sal.119:48;54;112. Quando alguém inclina o coração para poder guardar os estatutos, é fazer muito mais e muito mais profundamente que apenas inclinar os passos do dia a dia. Isso significa que todo o coração, todo o deleite e alegria agem como parte integral da obediência. Mas, logo surge uma pergunta: por que razão, então, as Escrituras dizem para nos negarmos a nós mesmos se nos quisermos tornar Seus discípulos? Devemos saber distinguir quando a nova natureza é contrariada, tentada ou mesmo impedida pelo diabo, cansaço, demora das concretizações de certas promessas que nos tocam, entre muitas outras coisas. É sob essas circunstâncias que devemos negar-nos a nós mesmos. É muito diferente quando é a natureza velha a tentar cumprir contrariada e ser crente de aparência com as suas naturais dificuldades e impossibilidades. São esses que criam doutrinas que desculpam o pecador e afirmam que é impossível ser-se santo como se ser santo fosse uma coisa doutro mundo.

  20. "Dai ao Senhor (...) força"; "Dai ao Senhor fortaleza", Sal.96:7; 68:34. Existem palavras nas Escrituras que, por vezes, são difíceis de entender/colocar na perspectiva correta. Como é que alguém pode dar força a Deus? Como é que alguém lhe pode dar fortaleza? Na verdade, é simples de entender. Damos força a Deus submetendo-nos a Ele para que seja Deus a construir a casa; limpando nossa vida; permanecendo n'Ele e Ele em nós. Tudo isso conjugado dá força visível a Deus, isto é, Sua força torna-se visível, prática e demonstrativa. Da próxima vez que você disser que Deus é a sua força, certifique-se que é mesmo assim na prática, pois, você pode estar a falar duma força emocional que o próprio pode fabricar para o próprio, o qual lhe permite persistir ou mesmo perseguir a sua vidinha de sempre. E isso pode estar a acontecer quando Deus pode estar a operar o inverso, dando-lhe razões para negar a sua vida própria, sua forma de poder e de força. Existem inúmeras partes nas Escrituras onde é afirmado que Deus resiste alguém enquanto essa pessoa, na sua ignorância e teimosia, busca força onde não tem para contra-resistir, isto é, para persistir contra Deus. E se for Deus quem lhe está a resistir e você pensa que é o diabo? Se não estiver mesmo sujeito a Deus com toda a sua vida limpa, duvido muito que Deus seja a sua força. Talvez seja a ideia de Deus que lhe dá alento emotivo, mas, pode crer que quem bebe dessa água terá, necessariamente, de beber dela de novo. Não é e nunca será o tipo de água que se bebe uma vez e que se mantém para sempre.

  21. "Quem te deu tal autoridade?" Mat.21:23. Muito se fala sobre autoridade em termos gerais, enfatizando apenas uma das partes: aquele que exerce autoridade como se tudo dependesse dele. No tocante a quem a exerce, a autoridade é um dom mesclado com exemplo de vida. Ninguém pode separar o exemplo da autoridade que pode exercer. Quem dá, pode pedir; quem faz, pode pedir para ser feito. Até Jesus exerceria pouca autoridade espiritual caso não fosse cumpridor de toda a Lei e se não fosse santo. Mas, existe o outro lado da autoridade sobre o qual nunca falamos: aqueles sobre quem essa autoridade é exercida. Os Fariseus colocaram bem a pergunta a Jesus e não é nada inocente. "Quem te DEU essa autoridade". A autoridade é dada, é permitida e aceite. Mas, logo surge a pergunta: é dada por quem? A autoridade é dada, concedia, permitida e obedecida por aqueles sobre quem ela é exercida. Quem dá autoridade a alguém é aquele sobre quem essa autoridade é exercida sujeitando-se a ela. Sou eu que me submeto à autoridade de Deus, à autoridades mundanas ou qualquer outro tipo de autoridade. Eu dou autoridade sobre a minha vida ou mesmo sobre parte dela ao submeter-me a ela. É bom, aos olhos de Deus, que a pessoa seja submissa de natureza com inteligência. Poderíamos ser submissos a Deus temendo o Seu imenso poder, recebendo Sua imensa bondade ou por qualquer outra razão dum vislumbre de qualquer aspeto da infinita grandeza de Deus. Mas, logo surgiria a pergunta: como seria essa pessoa sem ver tal grandeza? Seria, ainda assim, submissa, humilde e simples de coração? O que Deus deseja e opera em nós é uma natureza nova e voluntária desde o mais íntimo de nosso coração. Sendo submisso ou humilde e simples sob algum poder (e não de natureza) é, muito provavelmente, sê-lo somente na aparência por temor ou por necessidade.

  22. "Não estejais solícitos de como ou do que haveis de responder, nem do que haveis de dizer. Porque na mesma hora vos ensinará o Espírito Santo o que vos convenha falar", Luc.12:11,12. Não estar solicito ou preocupado evita muitos pecados ou erros em momentos quando não se pode errar. Aceitar a pressão nunca foi boa em momentos de aperto. Pode causar precipitação, pressa, falta de confiança e pouco interesse ou desejo de esperar algo de Deus, isto é, de esperar em Deus. Quando Jesus fala a respeito de responder, não significa que essa seja sempre uma resposta falada. Por vezes é, mas, nem sempre. Jesus guardou silêncio diante de Pilatos e escreveu na terra quando queriam apedrejar a mulher adúltera. Ainda assim, essas atitudes não deixaram de ser respostas com enorme significado iguais às outras que deu sempre que falou.

  23. É sumamente verdade que a Palavra vinda de Deus (as Escrituras) é "proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça", 2Tim.3:16. (Mas, tenhamos em conta que podemos estar a ler as Escrituras sem ter Deus a ensinar-nos). À primeira vista e por intuição carnal, somos capazes de argumentar que este alerta ou recomendação tem como alvo quem ensina e não a quem aprende. Por norma, as pessoas aprendem para ensinar a outros e crê-se que as Escrituras falam muito nesse tom para quem ensina, isto é, para professores, educadores e pastores. Contudo, devemos entender que, na verdade, a Palavra é dirigida a quem lê e a quem descobriu o segredo de se ensinar a ele próprio. As Escrituras falam ao próprio para que aprenda e nunca para que aprenda a ensinar. Ainda que ensinar seja um dom que vem de Deus, há que entender que só podemos tentar explicar o caminho daquilo que, para nós, já é um vida quotidiana normalizada. Ensinar aos outros não é ser ensinado. Saber transmitir aquilo que já se tornou a nossa própria vida, aquilo que já aprendemos em sua forma prática e já criou raízes em nós, falando da própria experiência, é a única coisa que se exige dum pregador ou evangelista. "...Para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado", 1Cor.9:27. "Aquilo que recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei", Fil.4:9. É isso mesmo que Paulo queria transmitir a Timóteo, "para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra", 2Tim.3:17. Neste caso, ele (Timóteo) era esse homem de Deus. "O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a gozar dos frutos", 2Tim.2:6. Logo, a Palavra é dirigida a quem lê para que possa ser corrigido, redarguido, contestado, confortado e instruído nos caminhos dos justos, isto é, nos caminhos da justiça. É um erro sem tamanho quando um pastor, pregador ou evangelista acredita que tem de preparar um sermão para os demais quando, na verdade, ele tem de conseguir retirar, reiterar e explicar aquilo que já aprendeu com a prática da verdade e partilhar como chegar lá, explicando o caminho para a Vida que começa necessária e inquestionavelmente somente com essa pratica da verdade. "Aquele que pratica a verdade...". Contudo, convém que consiga falar daquilo que, em sua vida prática, já se tornou usual e natural para que não esteja falando somente duma experiência nova, dando a impressão que é algo passageiro ao invés de demonstrar que a Vida e Sua prática veio para ficar eternamente. "O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a gozar dos frutos" somente quando esses frutos já estiverem prontos para a colheita e nunca antes disso. "Permanecei...". Devemos falar somente daquilo que já permanece em nós, isto é, daquilo que já é capaz de permanecer. Se assim não for, seremos condenados juntamente com os mentirosos. Seremos da laia dos mentirosos e seremos julgados com e como eles.

  24. Podemos e devemos ser sinceros a ponto de não deixar nada por esclarecer entre irmãos. Uns optam por se calar porque não querem abdicar de suas posições ou mesmo questioná-las. Calam-se para não terem de rever suas posições. Isso não é concordar. Não é e nunca será estar de acordo. Logo, não podem andar juntos, caminhar juntos, orar juntos sem ser de forma frígida, fingida e forçada, Amos3:3. Mas, existem pessoas mais nobres, mais honestas e mais sinceras em relação à verdade e às Escrituras. Esses ouvem-se mutuamente, analisam as Escrituras atentamente e, negando-se a si mesmos, deixam as Escrituras ter a última palavra. "...Mais nobres (...) examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim", At.17:11. Aquele que não se nega a si mesmo para poder dar a última palavra às Escrituras ainda não sabe o que é o Evangelho e, se assim é, não saberá o que é viver o Evangelho.

  25. O Perdão que Deus concede graciosamente a qualquer pecador que foi plena e inegavelmente convertido não pode ser colocado no mesmo patamar ou com o mesmo significado que os humanos dão à palavra "perdão". Vamos por partes. Se lermos atentamente e entendermos corretamente os capítulos de Romanos (Cap.6 a 8), podemos entender melhor como e por que razão o perdão de Deus é concedido. Por aquilo que lemos, o pecador morre. A culpa e a capacidade de transgredir morrem com o transgressor culpado. O perdão é concedido não somente porque Cristo morreu, mas, porque a Sua morte é capaz de alcançar o mesmo tipo de morte do pecador crucificando-o com Ele. Se o perdão fosse concedido com base, apenas, na morte de Cristo, todo mundo estaria perdoado. O perdão é concedido porque o tipo de morte de Cristo consegue que o pecador também possa morrer crucificado com Ele, isto é, estando semelhantemente morto para o mundo (pecado) e o mundo para ele. Segundo aquilo que Paulo nos transmite, entendemos que por via do (verdadeiro) Batismo com o Espírito Santo, o tipo de morte que Jesus experimenta para o mundo para sempre, será a herança de todos aqueles que experimentam a Sua vida na plenitude prometida, isto é, no poder da Sua ressurreição. "Se fomos plantados juntamente com Ele na semelhança da Sua morte, também o seremos na da Sua ressurreição", Rom.6:5. Na verdade, Jesus não morreu no verdadeiro sentido da palavra, pois, se assim fosse não teria dito "hoje estarás comigo no paraíso". Nenhum morto podia estar no paraíso, muito menos estar vivo por lá. No tocante à morte de Jesus, Ele morreu para o pecado e para o mundo e o mundo para Ele. "Quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado", Rom.6:10. Sua morte foi, apenas, um certo tipo de morte. E será nessa semelhança de morte que somos participantes e da qual podemos usufruir caso possamos permanecer na plenitude Cristo. Esse tipo de morte é um tipo específico de morte - é uma morte para o pecado, para o mundo e para tudo aquilo que é oferecido por cá. E é neste tipo de morte que nós, também, somos plantados caso experimentemos a Sua plenitude de maneira continuada. Daí a importância daquilo que Paulo diz aos crentes: "Enchei-vos do Espírito", Ef.5:18. Por essa razão, Paulo usa as palavras "semelhança da Sua morte", isto é, o tipo de morte que Cristo experimentou ao ser crucificado. Cristo não morreu no verdadeiro sentido da palavra. Caso a plenitude de Cristo tenha como abundar em alguém, o tipo de morte e o tipo de vida que Cristo experimenta atualmente será plantada, implantada e consolidada nessa pessoa também. "Não vivo eu, mas, Cristo vive em mim", Gal.2:20. Caso isso aconteça, experimentará o mesmo tipo de morte que Cristo experimenta e, o mesmo tipo de vida ressurrecta. Isto é, o pecador estará tão morto para o pecado e para o mundo quanto um cadáver está para tudo aquilo que o rodeia nesta terra atual - ou pode estar tão morto quanto Cristo está caso se possa manter pela graça e nunca por outro meio ou outro tipo de poder. Caso isso aconteça sem qualquer sombra de dúvida, a pessoa que nasce de novo é e será sempre outra pessoa e nunca mais será aquela que morreu caso se mantenha em Cristo e Cristo nela. Se o pecador morreu, não haverá a quem imputar culpa. Quando falamos da verdadeira conversão - quando ela é mesmo real - é disso que estamos falando. Pedro converteu-se em Pentecostes. "(Pedro), quando te converteres…" Luc.22:32. Se a pessoa não se transforma a esse ponto, precisa insistir em oração e não dar descanso aos seus joelhos e olhos até que seja cheia de Deus em toda a plenitude prometida, vendo se não existe alguma coisa, alguma atitude por transformar, alguma força residual da carne para se manter ativa na salvação, ou pecado por confessar que possa estar impedindo o fluir ou aproximação dessa Vida Eterna. Ainda que demore oito dias até alcançar Pentecostes, alcança-o pela insistência, Luc.11:13. A nova pessoa nasce inocentada porque é uma nova pessoa e todas as coisas passaram, isto é, tudo se fez verdadeira e inegavelmente novo. O velho homem morreu literalmente e, com ele, as suas transgressões. Cabe a si alcançar a promessa dessa Vida (eterna) que começa aqui e agora, ainda aqui na terra. "… A vida que agora vivo…" Gal.2:20; "… A presente Vida…" 1Tim.4:8.

  26. "Um mandamento novo (...) Aquele que diz que está na luz e aborrece a seu irmão até agora está em trevas", 1 João 2:8,9. Esta palavra "aborrece" usada aqui não é um aborrecimento ocasional dum mau dia, um coisa ocasional seja por que razão for, um mal-estar momentâneo entre pessoas, uma contrariedade ou discussão sem raízes no coração. Trata-se duma aversão continuada, uma mágoa impura contra alguém, um rancor ou contrariedade contra alguém pela pessoa que esse alguém é ou se imagina que ela é. Queria tentar explicar: existem desentendimentos por causa de desencontros de argumentos, de ideias diferentes, culturas e até mesmo doutrinas diferentes. Esses desentendimentos passam facilmente a ponto de ninguém sequer se lembrar deles no dia seguinte. São coisas pontuais que podem ocorrer e os honestos de coração acabam por se entender ouvindo-se mutuamente e buscando a verdade plena nas Escrituras dando às Escrituras a primazia da última palavra em total transparência e honestidade. Isso não é aborrecer o irmão e trata-se, antes, duma busca de entendimento entre iguais. Mas, é muito diferente quando alguém não gosta de outro e contradiz apenas pela pessoa que é, isto é, está na defensiva ou no ataque contrariando assim que se encontra perante a pessoa que é o objeto da sua desconfiança, rancor, discordância ou devido ao seu aspeto ou a algo que se associe a certa pessoa, seja por algo que somente se imagina sem constatar a verdade a seu respeito, ou algo verdadeiro que nunca foi falado com o próprio. Quando uma esposa e o esposo se desentendem por causa duma escova de dentes, podemos ter a certeza que o problema não reside na escova de dentes, mas, é substanciado por algo mais grave. Conheço um marido que diz que se esposa está sempre na oposição. Se ele diz direita, ela tem de dizer esquerda; se ele disser esquerda, ela diz direita. Eu creio que a palavra "aborrecer" neste versículo cai nessa categoria de significado. Há algo nas pessoas que os torna insensíveis após anos de convivência mutua e a defesa criada pelo e para o egoísmo entra subtilmente nas relações. Um casamento, por exemplo, tem como ser cada dia como se fosse o primeiro dia. Se isso não acontecer, passará a existir uma porta escancarada para que certas coisas se solidifiquem sorrateiramente de forma subtil e inconsciente nos corações que se juntaram em uma só carne. E essas coisas caem dentro do significado da palavra "aborrecer", que, traduzido no sentido espiritual é o mesmo que ódio aos olhos de Deus. É por essa razão que algumas traduções traduzem essa palavra "aborrecer" no Novo Testamento como "odiar". "Se alguém não aborrece (odeia) a vida própria, pai, irmão... não pode ser meu discípulo".

  27. "Se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai", 1 João 2:1. Não existe e nunca existirá perdão sem conversão. "Aquele que confessa e deixa as suas transgressões, alcançará misericórdia", Prov.28:13. Por essa razão e sabendo que as Escrituras não se podem contradizer, este versículo leva-nos a questionar aquilo que se crê em círculos supostamente evangélicos a esse respeito. Neste contexto, o significado da palavra "advogado" aqui estende-se muito mais além daquilo que possa parecer num primeiro entendimento. Este advogado para com o Pai dá a garantia de não permitir (nem mesmo sendo apenas em forma residual) que qualquer intenção, capacidade ou ideia de voltar a cometer os mesmos pecados se mantenha. Ele tem e mantém a capacidade de converter quem ainda peca e que só peca por ser pecador de natureza. (Não sei como qualificar aqueles que pecam havendo já sido verdadeiramente transformados desde o mais íntimo de seus corações. Será que são esses que pecam para a morte? 1João 5:16,17. Não tenho essa certeza). É nesse sentido de ter a capacidade de levar à conversão e de converter aqueles que foram capazes de O alcançar que Jesus se torna um verdadeiro Advogado diante do Pai. Ele tem a capacidade de perdoar pecados porque transforma um assassino em doador de vida; um ladrão em ajudador do próximo; um mentiroso na pessoa mais verdadeira; pois, sabemos que, para Ele, nada é impossível. "Ele salvará o Seu povo dos seus pecados (da sua capacidade de pecar)", Mat.1:21. Liberta-os verdadeiramente de seus pecados. Mas, para que Jesus possa tornar-se esse advogado que extermina a capacidade ou vontade de pecar, há que conhecê-lo intimamente. Ninguém pode confiar num advogado que não conhece e se é a partir do coração que os pecados do homem surgem, há que conhecer Jesus muito intimamente e de forma real e não apenas conhecê-Lo. "Aquele que diz: Eu conheço-o e não guarda os seus mandamentos é mentiroso e nele não está a verdade", 1João 2:4. Se "nele não está a verdade", significa que sua fé é fingida, duvidosa, naufragada ou forçada. Logo, para que Ele possa tornar-se esse advogado, é necessário que estejamos vivendo em total harmonia com Ele, experimentando-o verdadeira e inequivocamente no mais profundo de nosso ser porque é a partir dali que o mal surge - é ali que tem suas raízes e é desde lá que precisam ser exterminadas. É a partir de lá que Jesus deve operar. Não podemos curar a ferida do povo de Deus superficialmente, podando somente na aparência.

  28. "Disse-lhes Jesus uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer/desfalecer",Luc.18:1. Aqui temos um segredo escondido: Sem apreender este segredo, muitos acabam tropeçando e ter uma grande queda. É mesmo uma queda enorme no erro, na interpretação e na escuridão das doutrinas onde se ensina a orar, mas, não a obter respostas concretas da parte de Deus. O segredo aqui não é e nunca foi ir orar, mas, perseguir uma resposta concreta. Aqueles que estão numa fase onde sua comunhão com Deus ainda deixa muito a desejar, podem obter um não concreto - o que é um bom sinal, pois, se Deus disser que não, respondeu. Se Deus não respondesse, não dissesse nada, seria muito pior. E é neste estado "pior" que a maioria dos crentes se encontram - ainda que não queiram reconhecê-lo. O que perseguimos sem desfalecer é a resposta a cada uma de nossas orações. Mas, por falta de respostas, o cristianismo começou a acomodar-se e contentar-se com orar e orar, jejuar e jejuar sem obter qualquer sinal de resposta concreta. Os verdadeiros de coração perseguem insistentemente essa resposta, dure o que durar, custe o que custar - seja esse custo pessoal, moral, sentimental ou qualquer outro. Qual é o segredo e como devemos agir perante essa descoberta? A promessa de Deus é elevar-nos a um patamar de santidade que nos levará a uma proximidade de Deus tal que Deus pode mesmo atender as orações enquanto falamos e, em alguns casos, ainda antes de pronunciarmos qualquer palavra porque a oração já se encontra formulada no coração. "E será que, antes que clamem, eu responderei; estando eles ainda falando, eu os ouvirei", Is.65:24. Mas, enquanto não alcançamos esse estatuto de limpeza de coração que nos faz chegar, estar e permanecer bem próximos de Deus de forma continuada e ininterrupta, resta-nos a opção de orarmos até obtermos resposta concreta. Qual a razão ou quais as razões que nos podem levar a uma situação onde possamos chegar mesmo à exaustão até alcançarmos a resposta? Devemos lembrar que o alvo é a resposta. Sem isso, não podemos desistir. Sendo a resposta o objetivo de qualquer oração e sabendo que o normal seria obter resposta imediata, devemos saber que existe algo que está a impedir que qualquer oração seja atendida. Através dessa insistência de coração genuíno, Deus poderá revelar aquilo que está impedindo a oração, dando a oportunidade de ser regularizado. Na verdade, não é preciso muito para que as orações sejam impedidas. "Vós, maridos, coabitai com a esposa com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco (...) para que não sejam impedidas as vossas orações", 1Ped.3:7. O mesmo poderíamos dizer às mulheres que não assumem a submissão ao marido como algo que faz parte da sua própria criação; ou que não se submetem a Deus inquirindo diligentemente sobre a educação de seus filhos, como pilares do próprio lar que elas são. Mulher que não é submissa ao marido, não é submissa a Deus - ainda que o tente ser pela aparência. Tudo começa nas bases. Se não é submissa ao marido que vê diariamente como poderá sê-lo a Deus que não vê?

  29. "Como podeis vós crer, recebendo honra uns dos outros e não buscando a honra que vem só de Deus?" João 5:44. Quando Jesus fala aqui em buscar honra uns dos outros, tem um sentido muito vasto, isto é, engloba muitas coisas. Buscar honra significa, em muitas ocasiões agradar pessoas para ser agradado; manter as aparências buscando elogios ou evitando criticas; ser simpático, não porque se é simpático de natureza, mas, para se evitar ser mal visto, discriminado ou algo nessa linha. Existem muitas formas óbvias de se buscar honra, tanto quanto existem formas camufladas e disfarçadas. A estas pessoas com tais delitos naturais, Jesus pergunta como será que podem crer sendo assim. Esta pergunta vai muito além daquilo que possa parecer. Na verdade, o que Ele quer dizer é o seguinte: "Por que é que vocês pensam que conseguem crer buscando honra uns dos outros?" Vou tentar explicar aquilo que se entende espiritualmente por revelação de Deus ao coração. A fé que salva (crer) é fruto duma comunhão com Deus. É um filho do relacionamento entre Deus e o coração. Caso exista algum tipo de crer quando esta comunhão entre Deus e a pessoa é irreal, comprometida ou inexistente, estaremos falando duma fé naufragada ou crença sem fundamento. Tal crença é como uma casa construída na areia do mar onde as ondas batem regularmente. Não existe fé verdadeira que não seja fruto dum relacionamento profundamente genuíno entre Deus e homem. Sendo assim, qualquer pessoa que busca honra nos olhares, na admiração e na consideração de pessoas está efetivamente separada de Deus. Não pode crer, não tem como crer porque não tem esse relacionamento. E há os que podem crer porque tiraram a parede de separação que existia entre eles e Deus, confessando e abandonando cada pecado pelo nome e restituindo aquilo que não lhes pertence, ainda que seja a honra da qual se apropriaram indevidamente. Efetivamente, há os que podem crer e os que não podem. "E Jesus disse: Se tu podes crer..." Marcos 9:23. Há que tirar, confessar e destruir tudo aquilo que nos separa de Deus para não termos que viver/conviver com uma fé naufragada. "...Conservando a boa consciência, rejeitando a qual alguns fizeram naufrágio na fé", 1Tim.1:19. Estes naufragados continuam pregando, evangelizando, frequentando os cultos e reuniões de oração assiduamente como se tudo ainda estivesse normal. Criam-se novas mentalidades, inverdades e irrealidades acerca das coisas de Deus e da verdade para que as pessoas continuem frequentando as igrejas sem temor daquilo que pode chegar inesperadamente, como acontece quando um ladrão chega pela calada da noite. Por exemplo, as pessoas começam a crer que importante é orar e não que importante é ser ouvido por Deus obtendo respostas à oração. Desde que orem e jejuem, tudo está bem; começam a crer que aquilo que importa é ir à igreja e ser frequentador fiel dos cultos em vez de alcançar graça para ter como cumprir, confirmar e guardar a palavra. Na verdade, seria como um pescador que se contenta com a vara de pesca quando não pesca nada; ou como alguém que compra uma extensão elétrica, liga seus utensílios elétricos nela, mas, a outra ponta continua fora da tomada na parede; ou uma casa com uma instalação elétrica perfeita, mas, que não está conectada à rede da empresa publica de eletricidade. E é assim que se criam religiosos em vez de seres viventes, os quais sabem muito daquilo que não têm e acreditam ter, os quais continuam desconectados porque algo ainda os separa de Deus.

  30. "Acautelai-vos primeiramente, do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia", Luc.12:1. Aqui, Jesus não diz que o perigo são os Fariseus, mas, a hipocrisia. Mas, hoje, tudo é muito moderno e ninguém se considera hipócrita, forçado ou fingido porque já não existem Fariseus. Existe diferença entre ser esforçado e ser auto-forçado, isto é, entre ser esforçado com aquilo que já se tem dentro ou forçar-se naquilo que não se tem e nunca se alcançou de Deus, criando a aparência pelo esforço carnal. Vejo muitas pessoas (e com alguma frequência) puxarem por emoções criando hábitos religiosos emotivos sem se aperceberem que aquilo que não é da nossa pessoa em nossa vida quotidiana é hipocrisia; vejo que agradar pessoas é considerado amor e não hipocrisia; não vivem o Evangelho na rua, não tendo vida real, mas, tentam espremê-la dentro da igreja através de hinos bonitos, liturgia e leituras bíblicas; vejo aqueles que se querem mostrar falando aos demais nos cultos, como se de algum testemunho real se tratasse crendo que se entra pela porta estreita sabendo ensinar aos outros, "querendo ser doutores da lei e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam", 1Tim.1:7. Muitas mais coisas poderia mencionar aqui sobre os "que aprendem sempre e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade", 2Tim.3:7, os quais se enchem de mandamentos, doutrinas, crenças, enganos e não de vida. Mas, ficarei por aqui. O fermento dos Fariseus modernizou-se e tornou-se o fermento do Evangélicos e religiosos. Tornou-se doutrina e estudo em vez de ser vida real que pode ser explicada e aprimorada pelo estudo das Escrituras. Uma coisa é explicar aquilo que alcancei em Deus confirmando as Escrituras estudando-as com afinco e cumprindo (guardando); outra coisa é estudar as Escrituras (muitas vezes sem entendê-la da forma que deve ser entendida) e esforçar-me para igualar aquilo que entendo. Essa é a diferença entre ter vida e ser hipócrita. "O fim do mandamento é (...) uma fé não fingida", 1Tim.1:5. Contudo, a hipocrisia não existe apenas naqueles que não experimentam a vida eterna em seu interior de forma real e que tentam imitá-la ou praticá-la por via do esforço daquilo que pensam que entendem. A hipocrisia também existe de outra forma e em sentido inverso nos que verdadeiramente acharam vida plena: podem ter a parte importante já no coração, mas, ainda vivem da aparência em suas vidas quotidianas. Isto é, vivem conforme os hábitos anteriores tendo já alcançado vida verdadeira; vivem em conformidade com as circunstâncias ou conformados com as regras do mundo, pensando que agradar pessoas e ser agradado é amor. Imaginemos um profeta que tem tudo no coração para expressar as palavras de Deus no momento certo e da maneira certa, mas, conclui algo assim: "Ai de mim! Sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios", Is.6:5. Este profeta já havia expressado as Palavras de Deus corretamente, tinha tudo no coração, contudo, ainda vivia e falava conforme as pessoas que o rodeavam. Mas, não são somente os hábitos culturais que nos tornam hipócritas. A vergonha de falar de Deus tendo-O vivo no coração; o encobrir do verdadeiro coração por motivos errados; ter o Evangelho vivo no coração envergonhando-se dele na frente das pessoas ou ter medo das consequências. Tudo isso pode tornar-nos hipócritas. Aqueles que não alcançaram vida podem ser hipócritas tanto quanto os que já alcançaram essa vida e não a vivem. O conhecimento naqueles que não alcançaram vida é um peso. Quem se esforça naquilo que não tem, esforçar-s-e-á naquilo que imagina ter e isso é outra forma de idolatria. Mas, para todos quantos alcançaram vida verdadeira, crendo, esse mesmo conhecimento vindo de Deus deve ser ou tornar-se um verdadeiro alívio das cargas emocionais, principalmente se essas cargas emocionais forem religiosas.

  31. Existem muitas coisas que ocupam as pessoas, muitas das quais parecem ser nobres, mas, deixam muito a desejar por não serem finalizadas. Uns vão à igreja e não ouvem - não finalizam; outros ouvem e não guardam a palavra. "Bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam", Luc.11:28. Uns lêem, mas, não ouvem; outros conseguem ouvir e não guardam. Há quem nem sequer consiga ouvir pelo coração e tente cumprir aquilo que não achou em forma de vida real; há os que estudam, mas, não são cumpridores fiéis. Ocupam-se tanto com o conhecimento que não acham tempo para a prática daquilo que já existe no coração - se existe mesmo. E tudo isso deve-se à forma humana e enraizada de querer cumprir pela carne, colocando a carne a servir no templo de Deus. Hoje em dia existem bibliotecas inteiras de sabedoria Bíblica como nunca houve na história do mundo. No entanto, creio mesmo que nunca houve uma época da história onde houvesse tantos pagãos dentro das igrejas. Existe muito estudo e pouca prática que se identifique como vida vinda do coração e da própria essência da pessoa onde possamos afirmar que a pessoa é a própria palavra. A partir daí começaram a aparecer práticas por via do conhecimento ilimitado ao qual temos acesso hoje, as quais se tornaram práticas religiosas e não são uma demonstração prática do ser da pessoa, isto é, não têm origem no homem interior por não se encherem e preencherem de vida, mas, apenas de conhecimento. Logo, privilegiam-se as práticas religiosas acima da vivência e experiência da própria vida eterna dentro de quem a possui - se a possui. Estes dias assisti a batismos de pessoas que nunca se converteram, que não abandonaram o vício do cigarro e da bebida e, para que se cumprisse a doutrina de batizar apenas adultos, desceram às aguas, fazendo essas pessoas pular o muro para dentro do aprisco das ovelhas. Se é criminoso não guardar a palavra quando se tem a capacidade de ouvi-la, imaginemos o quão criminoso é ter estudo amplo e diversificado das Escrituras sem sequer conseguir ouvir. E são essas pessoas que hoje são batizadas e agregadas como irmãos, os quais, por haverem sido batizados, sentam-se à mesa da ceia com crimes que nunca confessaram e/ou nunca abandonaram. "Por causa disso, há entre vós muitos fracos e doentes e muitos que dormem", 1Cor.11:30.

  32. "A paz (...) como o mundo a dá", João 14:27. A questão aqui é saber se Jesus está falando de algum tipo de paz que o mundo pode dar ou se está falando da maneira como o mundo tenta dá-la ou alcançá-la (em vão). Se optarmos por entender este versículo pela forma como o mundo tenta obter paz, isto é, pela maneira "como o mundo dá", podemos acreditar que no mundo não existe paz e, apenas, que o mundo tenta dá-la ou alcançá-la da sua maneira. Jesus fala aqui de "como o mundo dá" e não afirma que o mundo consegue dá-la. E creio que é essa a verdade que Jesus nos quer fazer passar porque "no mundo, tereis aflições" e não paz. E que maneira ou formula é esta do mundo lutar por paz? O mundo tenta obter sua paz indo ao encontro das concupiscências de cada um e daquilo que a carne mais deseja. Satisfazendo seus desejos, o homem carnal deleita-se em seu prazer (temporariamente) e engana-se a si mesmo assumindo isso como sendo 'paz'. Esses deleites são sempre temporários e o coração (ou a carne) nunca é capaz de se sentir plenamente satisfeito ou realizado no dia seguinte. O dia seguinte será sempre um dia de ressaca e não de realização. Se alguém se sente realizado ou feliz matando, tornará a matar porque o deleite que teve não se mantém no dia seguinte. Isso faz com que vá de mal a pior. O mesmo pode ser dito do beber, do vício de comer, da lascívia, da ganância ou de qualquer outra coisa que o mundo dá - se Deus permitir, claro. Quem beber dessas águas tornará a ter sede com toda a certeza. Quem busca a paz da maneira que o mundo dita, certamente tornará a buscar essa paz vazia que se esgota rapidamente porque não é eterna, não é constante, não tem sustentação e não tem como se manter.

  33. "No mundo tereis aflições", João 16:33. Vamos falar das aflições que nos podem ocorrer. Existem as aflições externas e as internas. Todos aqueles que vivem piamente manifestando Jesus de forma real sofrerão perseguições. O mundo nunca ficará indiferente a respeito de qualquer um que manifeste Jesus em sua vivência de forma real. Contudo, rir-se-ão dos hipócritas porque o mundo distingue-os de longe embora os crentes se recusem a distinguir. Podemos crer que essas aflições são-nos externas e não alcançam nosso íntimo caso Jesus nos reine por inteiro e integralmente. Mas, as Escrituras falam claramente dos "deleites, que nos vossos membros guerreiam", Tgo.4:1. "Cobiçais e nada tendes; sois invejosos e cobiçosos e não podeis alcançar; combateis e guerreais e nada tendes (...) Pedis e não recebeis", Tgo.4:2,3. Pedir e não receber traz conflitos nos que se recusam ser hipócritas em relação a Deus e Suas realidades. O que significa isto? Significa que todo o crente que é capaz de crer (enganosamente) que Deus está disposto a satisfazer os deleites ao invés de salvar a pessoas desses deleites terá conflitos e guerras em seu próprio coração. Essa conflituosidade será transportada para a vida quotidiana exterior, criando, também, hipócritas que vivem uma vida dupla, isto é, uma vida conflituosa real a par duma vida de aparência conveniente que serve apenas para encobrir esses conflitos, pecados e desejos. E sabemos que aquele que encobre suas transgressões, desejos ou pecados nunca prosperará espiritualmente (Prov.28:13). Logo, se ainda existirem resíduos do mundo nos corações, se não "estou morto para o mundo e o mundo para mim", haverá aflições no coração e guerra constante entre Deus e a carne onde o coração é a arena desses conflitos até ao dia que Deus disser algo parecido com aquilo que disse nos tempos de Noé: "Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem, porque ele também é carne", Gen.6:3. Convém, pois, que não sejamos carne também sempre que temos o Espírito de Deus ou o Evangelho tentando tomar posse de todo o nosso ser. Se o mundo ainda estiver em nós - ainda que apenas residualmente - teremos aflições no coração. Onde ainda existir mundo, haverá aflições e se existir no coração será ali mesmo que haverá aflições de todo tipo. Onde existe mundo, existem aflições e conflituosidade, seguramente.

  34. Existem muitas razões para que as orações não possam ser atendidas. Mas, digamos que a pessoa não tem qualquer pecado por confessar; não tem nada para restituir a alguém; não trata o esposo ou a esposa desrespeitosamente devido à habituação da vivência como casal; não negligencia seus deveres; não negligencia seus filhos, educando-os nos caminhos de Deus rigorosamente; etc. Ainda assim e não tendo nada que separe essa pessoa de Deus (Is.59:1,2) fica claro que certas orações dentro da vontade de Deus (orações que deveriam ser atendidas) nunca são atendidas conforme prometido. Eu vejo mães orando por seus filhos em suas tribulações sem serem ouvidas e, mesmo assim, ficando satisfeitas somente por haverem orado; pais em dificuldades extremas orando sem obter respostas concretas e outros orando por eles ficando satisfeitos com o simples fato de alguém dizer que está orando por eles; "irmão, estamos orando" vulgarizou a satisfação de quem ora e ninguém é capaz de afirmar que foi ouvido por Deus. Depois, perguntamos:"as mães oram porque estão preocupadas com seus filhos ou porque acreditam que Deus resolve? É a preocupação que as move ou a fé?

  35. "Marta! Marta! Andas inquieta (distraída, ocupada) e te preocupas com muitas coisas (...) pouco é necessário ou mesmo uma só coisa", Luc.10:41,42. Existem muitas formas de nos abstermos daquilo que é verdadeiramente importante e que, segundo Jesus, "pouco é necessário". Significa que aquilo que realmente importa é pouca coisa, fácil, simples e de extrema importância. Existem pessoas que se abstêm ou distraem servindo comida, bens materiais ou outras coisas e nunca se ocupam com aquilo que importa verdadeiramente. Contudo, é necessário ter em mente que existem muitas outras formas de estarmos ocupados que não são mencionadas aqui, negligenciando, assim, a parte que realmente importa. A pessoa pode estar ou manter-se ocupada com a ira que consome o coração; com medos e receios; com problemas que ocupam a cabeça que necessita estar desocupada para Deus; com doutrinas e discussões religiosas que não se centram em arranjar o próprio coração colocando tudo e mais alguma coisa na luz e na transparência.

  36. "Outra (semente) caiu entre espinhos e, crescendo com ela os espinhos...", Luc.8:7. É extremamente difícil semear a boa semente sem que algumas caiam em boa terra onde, também, nascem espontaneamente espinhos e outras ervas daninhas. O segredo reside em não deixar crescer os espinhos com a boa planta que advêm da boa semente, alimentando esses espinhos. Hoje, alimenta-se muito os espinhos tais como: Deus cura, Deus dá, Deus abençoa (tudo menos a vida espiritual). É bom lembrarmos, com frequência, a oração de Jabez: "preserva-me do mal". A pessoa, mesmo crescendo espiritualmente, não pode permitir que os espinhos sejam alimentados e nutridos, pois, se os espinhos e abrolhos crescem até mesmo em terra ruim, imagine em terra boa!

  37. "Aos pobres é anunciado o Evangelho", Luc.7:22. Hoje não se insiste em pregar o Evangelho para os pobres. Prega-se prosperidade material se eles derem do pouco que têm.

  38. "Qualquer que vem a mim e ouve as minhas palavras...", Luc.6:47. A capacidade de ouvir tais palavras é muito mais do que ouvir de forma audível. É um ouvir profundo, é ouvir de palavras que falam segundo o coração, é ouvir aquilo que se anseia - ouvir desde o mais profundo do nosso ser. Quem não ouve assim, ainda não ouviu nada. "Vede, pois, como ouvis", Luc.8:18. É dessa forma de ouvir que vem a fé e não é conforme se apregoa por aí.

  39. "Mas, a vós, que ouvis, digo: Amai a vossos inimigos (...) bendizei os que vos maldizem (...) oferece-lhe também a outra (...) emprestai, sem nada esperardes...", Luc.6:27-35. É bom contextualizarmos corretamente toda a palavra que vem de Jesus. Jesus dirigia-se aqui especificamente aos que ouvem: "A vós que ouvis...". Teria muito para dizer a este respeito, mas, não sei se terei palavras para fazê-lo. Em primeiro lugar, tenho a certeza que este tipo de mandamentos não pode ser dirigida a quem não ouve com um coração praticante. Palavras dirigidas oportunamente a um coração já de si rendido e praticante é o que significa ouvir. Explicar, dirigir ou confrontar quem não ouve com o coração é criar problemas e tropeços para o verdadeiro Evangelho (e para a própria pessoa) de muitas formas. Criam-se hipócritas nas igrejas, criam-se opositores que nunca entendem e discordam com agressividade embora nem sempre é possível evitar que a boa semente caia fora da terra boa. Quando uma semente cai em terra boa e frutifica, serve de testemunho e admiração aos que se opõem, coisas essas que despertam e aguçam a curiosidade deles. Somente esse tipo de testemunho praticante e vivente (evidente) capaz de ouvir tem a capacidade de despertar qualquer opositor em qualquer parte do mundo.

  40. "Qualquer que vem a mim e ouve as minhas palavras e as observa (...) pôs seus alicerces sobre a rocha (...) e nada o pode abalar...", Luc.6:47. Hoje em dia dá-se enorme ênfase a estudar a palavra e até memorizá-la como se isso fosse criar praticantes, lidando com as pessoas como se fossem papagaios. "Importa fazer essas coisas e não deixar as outras", Lk.11:42. Em primeiro lugar, ler a palavra sem ouvir com o coração mais profundo, isto é, sem que essa palavra seja dirigida aos anseios mais profundos e mais relevantes de cada alma é ler em vão. É uma pura perda de tempo. Este tipo de ouvintes são os que podem e devem observar (cumprir, guardar) a palavra que lhes é dirigida. Sendo verdadeira esta afirmação, devemos e podemos entender que um ouvinte sedento ainda não é cumpridor da palavra. Se ouve dessa forma tem o caminho aberto para a graça que capacitará plenamente para ser um cumpridor tal como se nunca tivesse vivido doutra maneira. Devemos ter em conta que existe um longo caminho para percorrer entre ouvir com o coração e guardar a palavra de tal forma que a pessoa acaba se tornando a própria palavra em formato prático e visivelmente espontâneo. Ouvinte ainda não é cumpridor.

  41. "Mas o que ouve e não pratica...", Luc.6:49. Muitos acreditam e assumem que praticar (o Evangelho) é orar, ler a palavra, não faltar às reuniões, ir à igreja e ser religioso. Nada está mais longe da verdade. Praticar aquilo que somos capazes de ouvir com o coração sedento é transformar nossa vivência no emprego, em casa, no transito, na escola, na limpeza de casa, no arrumar do quarto, no lidar com outras pessoas seja de que tamanho/idade forem. Mas, nunca nos podemos esquecer que temos o dever inegociável de transformar nossos próprios corações em primeiríssima mão para que as nossas práticas sejam uma manifestação visível, transparente do nosso coração integralmente e sem qualquer pingo de esforço (fingimento). "Criai em vós um coração novo e um espírito novo", Ez.18:31. "Amarás teu próximo com a ti mesmo" terá de ser uma forma de vida espontânea, natural e instintiva. Se assim não for é uma aparência de vida, uma fingida e forçada - e isso não é vida

  42. "(A semente) que caiu em boa terra, esses são os que, ouvindo a palavra, a conservam num coração honesto e bom e dão fruto com perseverança", Luc.8:15. Um versículo recheado de muitas coisas. 1.Ouvir a palavra: ouvir é algo que vai muito além do audível, pois, é ouvir algo de interesse para o coração e que mexe com ele; 2.Conservar num coração honesto e bom: a)não é manter somente na memória e na mente; b)não podemos lançar sementes em qualquer outro tipo de coração (nem no nosso), pois, a boa semente tem a capacidade de transformar e quando o coração não é "honesto e bom" acerca da palavra, quando a palavra não encontra um coração de igual estatuto, quando a verdade não encontra um verdadeiro, quando não se é extremamente sincero até com o próprio, essa palavra tem uma capacidade limitada de transformar o semblante e a aparência das pessoas, as quais se tornam crentes na aparência, hipócritas sem vestes nupciais. Tornam-se "manchas em vossas festas de (amor a Deus), banqueteiam-se convosco, apascentando-se a eles mesmos sem temor", Jud.1:12. Conservar a palavra boa para poder fazê-la frutificar após isso é pensar nela, meditar nela a ponto de ir transformando a nossa mente e o nosso ser. 3.Mas, isso nunca pode ser considerado como frutificar, pois, frutificar é outra coisa e vai muito além de ter a capacidade e a disciplina de conservar essa palavra com vontade e dedicação. Frutificar será possível com perseverança continuada errando cada vez menos e acertando cada vez mais até que não seja possível errar mais devido a nova cultura e estatura do novo homem que ganhamos. Mas, errando ainda, devemos ainda manter a palavra boa em coração bom que não se desmotiva por nada deste mundo perseverando na confiança, na fé, sabendo que iremos conseguir tudo na dependência de Deus e se não lançarmos mão de meios alternativos chamados ao serviço pela impaciência, meios que nos possam levar a querer construir a casa, mas, sem ser Deus a construí-la. 4.Isto significa que ninguém deve desistir no primeiro percalço, na tentação insistente e na dificuldade, pois, logo tudo se pode tornar fácil e natural se não negligenciarmos a ajuda de Deus em nos ir salvando de cada pecado. Errando, devemos manter a capacidade de ainda manter a palavra no coração sabendo que logo tudo muda estando em Deus. Quais são os principais inimigos da perseverança? A distração; a falta de atenção, a qual é negligência; ausência de "bom ânimo"; fracassos anteriores que, na aparência, parecem repetir-se; a tentação de querer alcançar o prometido por meios próprios, o desânimo e desmotivação. "Respondendo Simão, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, porque mandas, lançarei a rede", Luc.5:5. Aqui, Pedro não respondeu, apenas, a Jesus, mas, ao seu próprio ânimo e pensamentos contraditórios. E o que é o fruto? Muitos acreditam que o fruto é mudar o mundo, converter os milhares de perdidos e salvar almas. Mas, o verdadeiro fruto que é necessário alcançar tem a ver com a nova pessoa em que nos tornamos, nas atitudes do coração e tudo aquilo que é pessoal e inerente ao homem interior. É nisso que devemos frutificar perseverando. O resto vem por acréscimo. "Criai em vós um coração novo e um espírito novo", Ez.18:31. É neste criar dum coração novo através da luz e da transparência que devemos manter a perseverança continuada e acesa. A aparência qualquer pessoa pode mudar. Mas, mudar o coração e as consequentes atitudes práticas é conseguido somente perseverando em ser rigorosamente transparentes sob a luz de Deus que não deixa nada invisível ou escondido.

  43. Muitas pessoas sinceras e dedicadas tentam ensinar muitas coisas para, mais tarde, chegarem à conclusão que nada daquilo que ensinaram frutificou. Isto tenho confirmado em muitos lugares e em muitas pessoas na igreja, nos lares, nas escolas e em todo lugar onde o ensino é praticado. Vezes sem conta, aqueles que são ensinados acabam fazendo o oposto daquilo que lhes foi ensinado. Noutras ocasiões, criam-se hipócritas que aprendem uma vida hipocritamente e de forma cultural onde o coração está ausente daquilo que fazem e ensinam ou, então, está subjugado ao ênfase religioso quando a verdadeira vida cristã é virtuosismo espontâneo prático. Na verdade, quando ensinamos uma vida não é conseguido qualquer fruto por via de teoria, doutrina ou religiosidade pragmática. A vida aprende-se por via duma prática daquilo que enche o coração. A doutrina é para uso daqueles que ensinam e não dos que precisam aprender. É praticando que se ensina. É a vida espontânea de quem ensina que cria e recria aqueles que aprendem. Mas, se alguém praticar aquilo que não surge do coração, criará ambientes fictícios de engano prático e nunca fruto celestial. As pessoas de fora aprendem aquilo que tem coração, aquilo que sai espontaneamente e que tem raízes profundas no homem interior, seja para bem ou para mal.

  44. "Enchei-vos do Espírito", Ef.5:18. Apesar daquilo em que se acredita nos círculos evangélicos mais tradicionais atuais, não podemos ignorar que ser cheio do Espírito é uma ordem, é uma condição para a real vida cristã, é uma necessidade imprescindível e inegável sem a qual ninguém pode passar caso queira pertencer a Deus e comparecer diante d'Ele sem mácula. Aqueles que querem remendar a sua veste velha com um pano novo evitando a realidade da promessa duma veste totalmente nova e completa - da qual se devem revestir por inteiro - devem prestar melhor atenção às Escrituras. Por outro lado, existe a euforia do erro em meios pentecostais que não tem nada a ver com o verdadeiro batismo com o Espírito Santo. Em muitos desses meios é mesmo um outro espírito e não o Santo. Tenho a consciência e certeza plena de que essas práticas pentecostais são uma forma de inimizade contra o verdadeiro Espírito de Deus, não passando duma imitação barata daquilo que existe no céu e na terra. Esses dois pólos que mencionei rejeitam-se mutuamente estando ambos longe da verdade e da realidade duma vida verdadeiramente cheia de Deus. Não podemos ignorar ou mesmo rejeitar aquilo que é certo somente porque existem muitas práticas erradas, deficitárias e maléficas nos muitos movimentos supostamente evangélicos. Ninguém rejeita o dinheiro somente porque muitos usam-no para fazer guerra; ninguém rejeita o pão porque existem muitos obesos. Há que prestar mais atenção ao verdadeiro Evangelho que é promovido, capacitado e confirmado apenas numa vida cheia do Espírito - desde que essa experiência seja real e não somente crida, assumida por via do fingimento, mentirosa, fingida, teatral, enganosa, implementada por via da ficção porque alguém desconhece a realidade que nunca experimentou como realidade. Devemos, contudo, realçar que este mandamento de sermos cheios do Espírito não é assim tão linear quanto parece. Ninguém manda no Espírito de Deus. ninguém se enche por si só. Não é ordenando, forçando ou mesmo fossando que podemos ser cheios do Espírito. Para podermos ser cheios d'Ele, devemos prestar a maior das atenções às condições e (pré)requsitos que nos permitem entrar fundo no Santo dos Santos, isto é, no Santuário de Deus. Somente cumprindo as condições diligentemente, trabalhando nosso coração e consolidando tudo que somos e fazemos (incluindo a nova maneira de orar) podemos entender o que é ser verdadeiramente cheio do Espírito na vida prática.

  45. "Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento e não comeceis a dizer entre vós mesmos..." Luc.3:7,8. Creio que o que João queria dizer aqui é: "Quem vos ensinou? aquele que vos ensinou, ensinou mal pensando que poderiam escapar pelo batismo sem se haverem convertido". Existem muitas outras maneiras de tentar fugir da ira vindoura, todas elas em vão. No caso dos Fariseus, umas das formas de "fugir" (temporariamente) das acusações da ira seria convencerem-se a si mesmos através certas afirmações teimosas que não podiam ser fundamentadas pela verdade, mas, somente por suas próprias mentes torcidas e pelas conveniências de suas consciências manchadas ou mesmo calcinadas. Convenciam-se que eram filhos de Abraão, que eram circuncidados, que eram escolhidos, que eram descendentes de Davi ou qualquer outra coisa que serviria para evitarem o arrependimento genuíno. Hoje em dia acontece o mesmo: sou crente porque vou à igreja; sou batizado; sou escolhido; nunca foram verdadeiramente salvos e contudo afirmam que não perderão a salvação. Poderia mencionar mais coisas, afirmações e doutrinas tais. Mas, teria, provavelmente, uma lista infinita de formas e formulas atuais de tentar fugir da ira vindoura - em vão. Nem irei falar daqueles que afirmam que faziam milagres, expulsavam demónios e profetizavam em nome de Deus e outro tipo de palha que será queimada assim que Deus limpar a eira (Mat.7:21-23). Todas essas formas e doutrinas serão palha para o fogo que nunca se apagará. Contudo, é bom saber que não será essa palha que alimentará o fogo que foi, inicialmente, criado para o diabo e seus anjos e que, agora, também engolirá homens e mulheres. Todas as formulas e doutrinas que tentam desculpar, apaziguar ou diminuir a culpa de qualquer pecado é palha que será queimada. Se a fé de muitos é tentar contornar a verdade e a realidade dos fatos andam alimentando seus corações com palha. Quem pratica a iniquidade precisa ser salvo de si próprio, de seu pecado eliminando a teimosia dos seus pecados pelo poder da graça. Nunca separe a verdade da realidade das coisas, pois, andam sempre juntas e são inseparáveis.

  46. "Todas as coisas, quando reprovadas pela luz, se tornam manifestas; porque tudo que se manifesta é luz", Ef.5:13. Este versículo só fala do pico do iceberg da verdade que se esconde por baixo dele. Fala, apenas, da parte visível, do desenlace e resultado de certas condições cumpridas. Vamos dissecá-lo por partes. Sabemos o que é luz. A luz de Deus revela, manifesta as coisas como são e não como desejaríamos que fossem. Mas, de momento, revela ao próprio sobre o próprio. Paulo fala aqui daquelas coisas que se fazem em oculto e que são reprováveis. Se não fossem reprovadas pela consciência e pela luz de Deus não seriam praticadas em oculto. Existem pessoas que aprovam aquilo que elas próprias fazem em oculto e quase sempre essa aprovação também é ocultada. Ocultam o que fazem e ocultam a sua aprovação. E acabam ocultando a sua desaprovação quando mudam para não darem a entender que praticaram aquilo que passaram a reprovar. Quando viemos para a luz devemos saber fazer o oposto: revelar (manifestar) o que fazemos ou fizemos e reprovar abertamente com toda a sinceridade. Isso não é o mesmo que reprovar as obras dos outros abertamente para ocultar o fato de que nós próprios praticamos aquilo que vemos nos demais. Contudo, somente andando na luz de Deus com paz de espírito e sendo totalmente transparentes poderemos afirmar que andamos com Deus. Ser transparente é uma ofensa para o mundo e se a pessoa ainda é mundana nunca será verdadeiramente transparente. Isso significa que não anda na luz porque não é capaz devido ao que pratica e/ou aprova. Assim que consegue reprovar aquilo que se oculta por natureza, obtém aquela luz de Deus em forma de vida eterna e constante que tudo manifesta para que seja revelado aquilo que ainda falta ver. Um passo dado leva ao passo seguinte. Todas as demais coisas são reveladas quando alguém consegue reprovar de coração e com toda sinceridade aquilo que ocultava. Nunca obterá mais luz para todas as outras coisas que se seguem se não conseguir reprovar de coração e publicamente aquilo que é reprovável. Para que a luz incida sobre aquilo que ainda precisa regularizar pelo poder da graça, é necessário que tenha a capacidade honesta e sincera de reprovar aquelas coisas que são reprovadas e condenadas pela luz de Deus. Só assim as coisas podem ser manifestas claramente nos dias seguintes. Mas, existe um senão: ninguém pode esperar que as coisas sejam reprovadas em oculto. Se alguém andou nas trevas desde sempre vai ser tentado a fazer isso pela força da vergonha de haver cometido atos mantidos em oculto. Quando alguém começa a reprovar aquilo que faz ou fez mostra tanto aquilo que é ou foi quanto aquilo que praticou ou pratica. Logo, reprovar em oculto, por muito sincero que alguém possa ser, tem a intenção de ocultar aquilo que praticou ou pratica. E isso não é e nunca será andar na luz.

  47. "Tudo que se manifesta é luz", Ef.5:13. Por norma, as pessoas continuam envergonhadas e, por vezes, com sentimentos de culpa depois que manifestaram e revelaram todos os seus pecados. Mas, a verdade afirma categoricamente que aquilo que já se encontra manifesto é luz e ninguém deve ressentir-se de nada estando na luz, sendo luz e vivendo na/da luz. Esse tipo de ressentimento, seja qual for a forma ou formato em que se apresente, será sempre um convite para voltar a andar nas trevas e abandonar a transparência.

  48. "...Aprovando o que é agradável ao Senhor", Ef.5:10. Esta palavra "aprovando" tem um significado especial, tanto no original quanto em nosso idioma atual. A raiz da palavra é "provar". Significa conseguir provar primeiro com o intuito de decidir a favor, no caso, aprovar. Ninguém deve aprovar aquilo que não provou experimentando na primeira pessoa. Não pode aprovar por via do testemunho de outros, mas, experimentando pessoalmente. Para aprovar é necessário experimentar de forma real - é necessário provar. Havendo experimentado, há que gostar de seguida sem qualquer ponta de hipocrisia. Se não experimentar e se não gostar não pode aprovar. Se aprovar não experimentando e não gostando será hipócrita e nenhum hipócrita entrará o reino de Deus, nem no Seu reino aqui na terra e nem depois da morte. Não é possível e muito menos aceitável aprovar por intuição, rótulo ou decisão sem haver provado e gostado. Isto tem muito que se lhe diga quando falamos de pessoas que viviam em inimizade contra Deus e se opunham à verdade por natureza. São essas pessoas que devem experimentar na primeira pessoa e gostar daquilo que nunca amaram e, agora, experimentam, isto é, experimentam na primeira pessoa. "Agora não é pelo que disseste que nós cremos; mas, porque nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo", João 4:42. "O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida", 1João 1:1.

  49. "Aquele que observar (guardar) e ensinar..." Mat.5:19. Estas palavras estão ordenadas de forma sequencial. Primeiro vem o observar e guardar. Só depois se pode ensinar. Não é isto que vemos hoje nos nossos púlpitos. Ouço com muita frequência - mais frequentemente do que possa imaginar - as pessoas ensinarem e logo de seguida afirmarem algo assim: "Mas, nós somos imperfeitos e todos nós erramos" e não sabem o mal que fazem à igreja! Se é assim, por que razão ensinam? Afirmam que não cumprem e ensinam ou, então, usam as palavras para manifestar uma "falsa humildade" que é igualmente condenável, Col.2:23. Paulo dizia: "Sede meus imitadores", 1Cor.4:16; 11:1; Ef.51; Fil.3:17. "O que vistes em mim, isso praticai", Fil.4:9.

  50. "...Firmes em um só espírito..." Fil.1:27. Esta firmeza tem alguns pontos que nunca poderemos ignorar ou mesmo desprezar. Não é o fato de as pessoas se entenderem que as torna firmes. São as pessoas firmes (em Deus) que são capazes de se entender. Essa firmeza tem de começar (e terminar) no espírito e nunca na carne. Não é agradando pessoas que se constrói esse tipo de firmeza de espírito. Antes pelo contrário: é deixando de agradá-las ou não conseguindo mais agradar pessoas. Somente deixando de se agradar mutuamente podem verificar se têm um mesmo espírito ou não. É a firmeza em Deus entre todos que faz com que as pessoas se possam tornar unidas em um mesmo espírito. Se têm um mesmo espírito não precisam de se agradar mutuamente para se tornarem uma união de firmeza. Na verdade, torna-se necessário deixarem de se agradar mutuamente. Não é necessário regar a terra onde já choveu. Caso tenham alcançado um mesmo espírito em Deus, agradarem-se mutuamente trará desunião e nunca verdadeira união. As coisas em Deus operam doutro modo, por via doutro poder e primam-se pela verdade e por optarem ser verdadeiros de coração. "Falai a verdade cada um com o seu próximo", Zac.8:16. Se o espírito não for igual nas pessoas nunca existirá união firme. Após estarem verdadeiramente firmes em Deus - de igual modo e no mesmo nível entre todos - terão, apenas, de permanecer em um mesmo espírito para que essa firmeza possa ser mantida. Isso é diferente daquelas uniões falsas onde o mundo e o cristianismo se juntam para se entenderem. Onde o mar e o rio se juntam, o sal torna-se insípido e isso favorecerá o mundo e não o sal. A verdadeira paz entre pessoas (um tipo de paz sem qualquer sintoma ou nuance de hipocrisia) depende da semelhança em essência das pessoas ou em que se tornaram desde o coração. As pessoas são unidas por via da essência e não pelo seu esforço. Os mentirosos entendem-se entre eles; os ladrões juntam-se facilmente e formam quadrilhas; os avarentos conversam avidamente uns com